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Me Deixas Louca

Cantora da música-tema da novela das 8, madrinha de bateria, espetáculo com as músicas da mãe e o primeiro ensaio sensual – Maria Rita chega à fase mais ousada de sua carreira

POR SÉRGIO RUIZ LUZ FOTOS HUGO PRATA

REALIZAÇÃO DENISE DAHDAH


Maria Rita está acostumada a brigas. As primeiras foram na adolescência, contra seu corpo (achava-se gordinha e desajeitada), a timidez crônica e as crises de insegurança que a perseguiram durante anos, provocadas pelo dilema se deveria ou não entrar na vida artística. Depois, com o sucesso do primeiro disco, em 2003, que vendeu mais de 800.000 cópias e ganhou o Grammy Latino na categoria de melhor artista, apanhou feio de parte da crítica e do público, que tentavam reduzi-la a um fenômeno de marketing de uma gravadora multinacional. Chegou a ser tratada como mero genérico de Elis Regina, querendo fazer sucesso à custa do nome da mãe. “Havia muita agressividade, parecia o primeiro round de uma luta contra o Mike Tyson”, afirmou a ALFA a cantora. “Agora, já ganhei prêmios e vendi discos o suficiente para pararem de me encher o saco.” Ou quase. De tempos em tempos, as velhas questões sobre a mãe são levantadas por alguém. “’Tem quem não goste, mas sou a filha da Elis Regina. Digo: ‘Meu querido, está aqui no meu RG, quer ver?”

Quase uma década depois de sua estreia, a cantora deixou para trás a fase de ficar acuada nas cordas do ringue e, com a segurança de seguidos sucessos (seus discos e DVDs somam vendagens de mais de 2,5 milhões, e a última turnê, com duração de dois anos e meio, foi vista por 5,5 milhões de pessoas), resolveu ousar. A adolescente desajeitada deu lugar à madrinha de bateria da escola de samba paulistana Vai-Vai no último Carnaval (o clima de fim de festa pós-Carnaval, ela encamou neste ensaio fotográfico de ALFA, o primeiro sensual de sua carreira). A quem achava que havia atingido o ápice da popularidade, surge agora todas as noites na abertura da nova novela das 8 da Rede Globo, entoando uma nova versão de Coração em Desalinho, um samba clássico de Monarco e Marquinhos China. Outra novidade é que a parceria antiga com a gravadora Warner deu lugar a um acordo com a Universal, anunciado neste mês, com a previsão de cinco lançamentos nos próximos dez anos.

Nada disso, porém, parece mais ousado e com a cara da nova Maria Rita do que seu envolvimento no projeto de homenagens a Elis Regina, cuja morte irá completar três décadas em 2012. O pacote do próximo ano prevê uma exposição, uma biografia e um documentário sobre a cantora. Mas, inegavelmente, a cereja do bolo serão os cinco shows previstos nos quais Maria Rita interpretará o repertório da mãe. “Já cantei Essa Mulher num especial da Globo, e nunca foi segredo que gostaria de fazer mais coisas num momento especial”, afirma ela, que tinha 4 anos na época da morte de Elis. “Lembro apenas de fragmentos do nosso convívio, ficou um grande buraco e sentimentos de saudades, de solidão, e a certeza de que, se ela estivesse aqui, eu não seria tão mal compreendida”, diz, com os olhos marejados.

Quem está à frente do projeto é o irmão João Marcelo Bôscoli, que virou também o empresário de Maria Rita há três anos. “Três outras pessoas já haviam gerenciado os negócios dela, até que decidimos nos unir”, lembra ele. A relutância a misturar as relações profissionais e pessoais com o irmão vem desde o início da carreira da cantora. João Marcelo é sócio da gravadora Trama e estava na briga para gravar o primeiro álbum dela. Acabou perdendo o passe da estreante para a Warner. “Eu já era chamada de imitadora oficial de Elis Regina, imagine se ainda gravasse com o meu irmão”, conta Maria Rita. “Aí, naquelas voltas que o mundo dá, acabei caindo no colo de João Marcelo.” Ele é a pessoa mais próxima a ela na família (a cantora tem uma relação mais distante com o pai, o pianista César Camargo Mariano, e os irmãos Pedro Mariano, Marcelo e a caçula Luisa). “Maria Rita é o melhor plano de marketing que Elis poderia ter em termos de preservação de seu nome entre as novas gerações”, afirma João Marcelo. “Muitos fãs de minha irmã começaram a conhecer e a gostar de Elis por causa de Maria Rita.”

Aos 33 anos, a cantora escuta o irmão antes de tomar decisões na carreira, mas é dela sempre a palavra final. Se fosse escutar os outros, diz, ficaria muitas vezes perdida, sem rumo. Na mesma época em que era criticada por imitar a mãe, um grupo quase tão numeroso de pessoas a cobrava injustamente por não emular o trabalho de Elis. Por isso, resolveu encontrar sozinha um caminho. “Canto o amor, o desamor, a raiva, a solidão, a alegria e a paixão de uma forma que seja verdadeira a ponto de uma pessoa ouvir e se identificar com aquilo”, diz. “Mas ainda há um tanto de sentimentos a explorar. O que faço é com tanta paixão e tanta alma que não tem como parar, é mais forte do que eu.”

Na última turnê, chegou a sofrer um colapso nervoso por causa da ciranda maluca de shows e viagens. Perdia quase 1 quilo por apresentação. Alguns sintomas de fadiga começaram a aparecer, como uma estranha dor no pé e a queda de cabelos. Até que veio o colapso, quando deixou um espetáculo carregada numa ambulância. “Fiquei estressada porque me dediquei física, psicológica e artisticamente a turnê de uma forma que nunca havia feito”, afirma. Por orientação médica, começou a se cuidar, com uma dieta mais equilibrada e uma rotina de exercícios. “Passei a me sentir bem e a dormir melhor”, diz. Os resultados também começaram a aparecer no espelho. “Notei a diferença quando coloquei a calça e ela parou na coxa… Era músculo!”, conta. Os fãs mais exaltados gritam nos shows “gostosa”, “tesão”. Maria Rita lembra envaidecida dessas homenagens, mas, em seguida, num reflexo de timidez, inclina a cabeça para o lado e busca refúgio na autoironia. “Sou uma obra em fase de melhoramento”, diz. “Numa escala de zero a 10, me dou hoje uma nota 3,5…”

Nessa busca por equilíbrio, porém, nada foi mais importante que a chegada de Antonio, há seis anos. “Aprendi a dizer não”, diz ela. “Nada pior que fazer um show sabendo que o filho está doente em casa, dá vontade de largar tudo para ficar com ele no meu colo.” Antonio é fruto do relacionamento entre Maria Rita e o cineasta Marcos Vinícius Baldini, que durou pouco mais de um ano. “Quero casar de novo e ter mais filhos”, afirma a cantora. “Meu primeiro casamento não fez jus ao que uma relação pode ser.” Ela é bastante assediada e, nos últimos anos, já foi vista na companhia do cantor Falcão, do sambista Leandro Sapucahy, do apresentador Fred Lessa e do editor Bruno Cranato, da gravadora Trama. No momento, está saindo com um empresário do Rio de Janeiro. “É um pouco mais de um rolo”, diz. “Posso dizer apenas que estou bem. Ponto.”

Formada em comunicações sociais pela Universidade de Nova York, fala inglês e espanhol e é uma leitora voraz. Um dos assuntos prediletos é política. “Sou fundamentalmente de esquerda, como minha mãe, está no DNA da família”, diz a eleitora de Lula e, mais recentemente, de Marina Silva, no primeiro turno, e Dilma Rousseff no segundo. “Não concordo com tudo o que aconteceu no país nos últimos anos, mas é inegável que muita coisa melhorou.” Essa mesma capacidade crítica, não raro, se volta contra ela própria. Apesar dos avanços dos últimos anos, reconhece suas limitações e inseguranças. “Será que vão lembrar de mim se eu parar de gravar? Não sei”, diz. Uma de suas únicas certezas é que está pronta para encarar qualquer briga que pintar pela frente. “Me chamo Maria Rita Camargo Mariano e sou filha de Elis Regina. Quer ver meu RG?”.

Editora assistente Kika Brandão Produção executiva Gregório Souza Produção de moda Felipe Miguele Produção de joias Shully Dabbah Beleza Ricardo dos Anjos, com produtos L’Oréal Proflssional e Make Up Forever Cenário Mônica Tagliapietra Equipe de foto e elétrica Zulu Filmes Assistente de beleza Patrick Guisso Manicure Vilmara da Silva Santos (Mundial Impala) Agradecimento especial Rodrigo Carvalho Agradecimentos By Kamy (tapete e baú), Cecilia Dale (vaso dourado), Dormire Import (cama), Juliana Benfatti (sofá, Iicoreiros e mesa de centro), Marlene Enxovais (lençol e cobre-leito), Stile D.O.C. (caixa de couro, castiçais, vaso vermelho e pote de murano) Tratamento de imagens Fujocka Photodesign
(fonte: Revista Alfa)

Nota da Equipe @PortalMR: Essa matéria foi retirada da edição de março/2011 da Revista Alfa, que já está nas bancas! Adquira já o seu exemplar ;)

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  1. 11 de abril de 2011 às 8:27 pm

    Estimada Maria Rita,soy uno de tus admiradores,me gusta tu canto tipo bosa nova;pero tambien me gusto como interpretaste junto con Leci Brandao,la hermosa cancion Canta Canta Minha Gente y Magdalena Do Jucu.Ademas tambien soy un admirador de la mujer brasileña,son hermosas,felicidades.

  2. anerlina alves pereira costa
    31 de maio de 2011 às 2:47 pm

    sou compositora anonima,tenho varias composiçoes e gostaria muito q maria rita gravasse uma q é especialmente linda,tenho letra e musica.aguardo resposta para, lina_linda25@hotmail.com

  1. 14 de março de 2011 às 6:46 pm
  2. 26 de março de 2011 às 6:21 am
  3. 22 de abril de 2011 às 7:50 pm

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