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Estadão: Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda

Fonte: Estadão, por Luiz Carlos Miele

No momento em que a indústria do disco passa por uma reconhecida crise, chega para a divulgação um luxuoso lançamento do novo trabalho de Maria Rita. CD, vinil e pen drive… É como se a gravadora perguntasse a Maria: “Como é que você quer o lançamento?”. E ela respondesse: “Quero tudo a que tenho direito.” E é assim, teimosa e atrevida como sempre, que ela traz seu novo trabalho, com certeza na contramão do compositor que escreveu “essa é pra tocar no rádio” – isso pelo menos na primeira faixa, a linda Conceição dos Coqueiros, onde ela não faz a mínima questão de apresentar uma canção de abertura de disco de apelo fácil e comercial.

Às vezes a interpretação parece trazer uma certa raiva, como a cobrar do público que ouça um tipo de música de resistência e qualidade estranho ao panorama atual. E ela consegue isso do seu séquito fiel de admiradores que lhe garante essa liberdade de mostrar mais um trabalho de garimpagem musical ao lado de seus inseparáveis Tiago Costa, Cuca Teixeira e Silvinho Mazzuca (quem mais grava com piano, baixo e bateria?). Não sou um crítico isento para analisar o trabalho de Maria Rita (ave Elis). Não fui vê-la no bar Supremo, onde pisou os primeiros degraus, e só estive na estreia do Canecão quando seu proprietário, o Mario Priolli, devoto como eu da mãe, depois de assistir aos ensaios da filha (e portanto já refém do clã), me ligou: “Italiano, vem pra cá pra minha mesa que eu não estou a fim de chorar sozinho”. Ao vê-la, já surpreendentemente senhora do primeiro grande espaço em que pisava, afinada com o sucesso, sensual, de calça e dando o maior pé.

Hoje, ela assina sua carreira: “Produzido por MR” (quem consegue dirigir Maria Rita?). Mãe de Antonio, em que já desconfia a tendência para a bênção ou maldição da carreira, é para ele que lembra o conselho do pai, o grande Cesar Camargo Mariano: “Vai ser feliz”. E agora, com o novo disco Elo, título que vem da letra da música de Djavan “amarelo-elo-lindo”, tem como sempre novos desafios, as releituras de Menino do Rio para lembrar a Baby que ela ouvia quando pouco mais que bebê, e tem a História de Lilly Braun do Chico Buarque e Edu Lobo. Espero que um dia ela também se apaixone por Futuros Amantes e grave também mais essa obra prima do Buarque. Tem o sucesso da novela, Insensato Coração, que não faz mal a ninguém, e tem novamente a cumplicidade com Roberto de Carvalho e Rita Lee em Só de Você. Afinal, como cantam as Ritas: ‘Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda’.

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  1. 8 de outubro de 2011 às 8:41 pm

    Nota 1000 para esta matéria!!!!AMEIIII!!!
    Cida Dantas

  2. Maître
    4 de dezembro de 2011 às 6:07 pm

    Beaucoup de gens pour des raisons économiques ne pourrons plus acheter des produits artistiques mais il y a aussi le contexte actuel qui fait que la chanson exprimant des émotions ,des sentiments et en décalage avec la réalité de notre monde ,donc comment adapter les chansons à l’évolution de notre temps tout en restant douces ?

    Um monte de pessoas por razões econômicas não podem mais comprar arte, mas há também a corrente que faz com que a música expressa as emoções, sentimentos e fora de sintonia com a realidade do nosso mundo, assim como canções adaper ao desenvolvimentos do nosso tempo, permanecendo mole?

    Beijos para Maria Rita!!

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