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70 dias para Viva Elis: “Manter o legado dela (Elis) é uma obrigação”

Faltando agora poucos meses para o especial VIVA ELIS, vamos relembrar algumas matérias sobre Elis e Maria Rita. Hoje, é uma matéria da Revista Época, seis meses depois da Maria Rita ter voltado ao Brasil. Confiram:

“MANTER O LEGADO DELA É UMA OBRIGAÇÃO”

Uma das lembranças mais remotas que Maria Rita Camargo Mariano, 24 anos, tem da mãe é a imagem dela deitada no caixão, rodeada de gente desconhecida. Recuperou detalhes dessa cena investigando recortes de jornal de janeiro de 1982, quando a mãe, Elis Regina, a maior cantora brasileira de todos os tempos, morreu de overdose, aos 36 anos. “No velório eu passava de colo em colo e só queria que a deixassem dormir”, conta. Já faz duas décadas que Elis está ausente, mas a força do mito faz com que continue muito viva no dia-a-dia de Maria Rita e seus dois irmãos, João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano. Administram o legado da mãe quase como um trabalho não remunerado. “Tenho de analisar inúmeros pedidos de uso de imagem, utilização de fonograma, roteiros. Leio tudo que cai na minha mão e guardo num arquivo que fica na casa de meu pai”, diz Maria Rita. “Manter o legado dela é uma obrigação. Não chego a gostar disso. Tem dia que acordo extremamente saudosa, melancólica, e tenho de fazer mesmo assim.” A cada aniversário de morte, a ferida da perda é remexida por gente que procura a família para fazer um especial sobre Elis, para regravar um disco. “Teve os 5 anos sem Elis, os 10 anos, os 15 anos e vai ser sempre assim. Ela não morreu e ponto final, ela continua.”

Não chega a ser um ônus. Maria Rita reconhece o lado bom de ter uma mãe mito, de alguma maneira sempre presente. “Sou muito grata ao fato de ela ter sido famosa. Eu tenho discos, vídeos, as pessoas que me falam dela sem travas. Nâo têm as travas que todo mundo tem de falar de quem se foi. Os fãs dela que me abordam na rua para contar alguma coisa, que viram ela chorar em um show. Tenho esses registros culturais que são para a eternidade.” Maria Rita voltou ao Brasil há seis meses – depois de morar nos Estados Unidos por oito anos – para seguir os passos de Elis. “Eu vou cantar. Todo mundo já sabia, menos eu. E olha que eu tentei fugir disso”, diz rindo. A reclusão nos Estados Unidos, ao lado do pai e da madrasta, Flávia Mariano, foi positiva. “Lá eu cantei sem o ‘fantasma’ da mamãe.” Cantou informalmente. Agora estuda canções e começa a planejar a carreira. A partir da próxima segunda-feira, fará participações especiais no show de um amigo no bar Supremo, em São Paulo, e no SESC Pompéia, interpretando cinco canções. Sabe que as comparações com o mito serão inevitáveis. A voz e o timbre são um pouco diferentes, mas a mãe está presente nos olhos, na maneira de falar, no rosto espremido pelo sorriso aberto, no jeito de fechar os olhos quando canta. Maria Rita se orgulha disso. “Se alguém tem de cantar parecido com ela, que seja eu.”

As lembranças de infância que guarda da mãe são poucas e turvas. Cenas vividas com ela misturam-se na memória de Maria Rita a outras vividas com a tia. “Acabei me apegando a quaisquer memórias e atribuí à minha mãe. Lembro dela depilando a perna e uma amiga dela me dando banho na banheira, lembro muito bem da casa em que morávamos na Serra da Cantareira, da textura da cortina, da posição da mesa, das flores. É um apego a qualquer lembrança que seja dela, que me remeta a ela.” Como um anel cartier com o nome de cada filho gravado nas três argolas, que Maria Rita manipula exatamente como Elis. “Ouço as músicas dela por saudade, por necessidade. São o único referencial que tenho dela.”

Até a adolescência, bastava a Maria Rita a presença da mulher do pai, Flávia, a quem chamava de mãe. “Ela é uma ‘boníssi-madrasta’, foi maravilhosa, me deu senso de disciplina, me educou. Mas um dia isso não bastou. Eu tenho uma mãe que já me restou tão pouco dela que eu gostaria de preservá-la.” Essa mudança aconteceu em seus 14 para os 15 anos, quando Maria Rita menstruou. “Eu sabia como tinha sido com a Flávia, mas queria saber como tinha sido para a minha mãe. O que ela teria para me dizer da vida. Fui atrás de revistas, de entrevistas. De uma certa maneira, era ela mesma me contando.” Foi de caderninho e caneta na mão procurar reportagens e depois bater as informações com pessoas que haviam conhecido Elis. Descobriu que, como ela, a mãe era organizada, briguenta, vaidosa e fazia as próprias unhas. “Inevitavelmente, Bateu uma hora que eu falei: ‘por que eu penso quase como um comunista, como uma maluca?’, ‘por que a minha mão é desse jeito, muito parecida com a dela?’ Veio uma necessidade de conhecer a minha história, de conhecer a mim mesma.”

Maria Rita não gosta muito de falar sobre a causa da morte da mãe. “Não sabia lidar com isso. Me perguntava ‘ minha mãe era uma criminosa (por ter usado drogas)’? Quem sou eu para julgá-la? Ela não está aqui para me explicar. Há quem diga que foi mera curiosidade. Afinal ela gostava de yoga, ballet, alongamento, arroz integral e comida macrobiótica. Prefiro acreditar que ela usou drogas em uma parte da vida dela. Por ser uma coisa muito íntima dela – nem meu pai nem o namorado dela na época, o Samuel (MacDowell de Figueiredo) sabem o que aconteceu de verdade – fico mordida quando exploram esse assunto.”

Às vezes, Maria Rita parece esquecer que é filha do mito e fala de Elis quase como fã. “Adoro ‘Essa mulher’ (disco de 1979), que é um retrato dela, ‘Elis e Tom’ (1974). A interpretação e o repertório dela são fora do comum. É uma delicadeza, é tudo tão bonito. O Bêbado e a Equilibrista é um credo dela. a maior qualidade da minha mãe era cantar com honestidade. Ela só cantava músicas nas quais ela acreditava e que, por isso, mostram um pouco como ela era.”, divaga. “Nâo ouço as músicas dela para estudar, como eu ouço outros intérpretes, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Chico Buarque. Ouço por saudade, porque eu preciso. Mas tem dias que eu prefiro não ouvir. Perdi a minha mãe para sempre. É para sempre a perda. É para sempre a dor. É para sempre a saudade. É para sempre o buraco, a falta. Ainda que eu tenha tido uma figura materna em casa, chegou um momento em que aquilo não me satisfazia mais. E vi que essa insatisfação ía durar a minha vida toda. É um buraco que não tem como ser preenchido.”

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  1. Teresinha Vespoli de Carvalho
    24 de janeiro de 2012 às 1:17 am

    Maria Rita , sua mae me ensinou muito. Te-la conhecido mudou minha vida, portanto o buraco que sua ausencia deixou em voces, filhos, existe em mim tambem.
    Gosto muito de voce e de seus irmaos, Joao e Pedro, bem como do Antonio, da Rafaela e do Arthur, sem esquecer da vovo Ercy que fara 90 anos no dia 7/02/2012. Voces sao um exemplo de vida e superacao.
    No programa ” Ensaio” ( TV Cultura 1973) sua mae diz que a gente nao deve deixar de dizer que gosta das pessoas porque a gente fica adiando e de repente quando nos damos conta elas se foram. Entao, fica o registro.: Adoro voces! Sejam muito felizes! Bjs. Teresinha Carvalho

    • 24 de janeiro de 2012 às 1:20 am

      Teresinha Vespoli de Carvalho :
      Maria Rita , sua mae me ensinou muito. Te-la conhecido mudou minha vida, portanto o buraco que sua ausencia deixou em voces, filhos, existe em mim tambem.
      Gosto muito de voce e de seus irmaos, Joao e Pedro, bem como do Antonio, da Rafaela e do Arthur, sem esquecer da vovo Ercy que fara 90 anos no dia 7/02/2012. Voces sao um exemplo de vida e superacao.
      No programa ” Ensaio” ( TV Cultura 1973) sua mae diz que a gente nao deve deixar de dizer que gosta das pessoas porque a gente fica adiando e de repente quando nos damos conta elas se foram. Entao, fica o registro.: Adoro voces! Sejam muito felizes! Bjs. Teresinha Carvalho

      Teresinha Vespoli de Carvalho :
      Maria Rita , sua mae me ensinou muito. Te-la conhecido mudou minha vida, portanto o buraco que sua ausencia deixou em voces, filhos, existe em mim tambem.
      Gosto muito de voce e de seus irmaos, Joao e Pedro, bem como do Antonio, da Rafaela e do Arthur, sem esquecer da vovo Ercy que fara 90 anos no dia 7/02/2012. Voces sao um exemplo de vida e superacao.
      No programa ” Ensaio” ( TV Cultura 1973) sua mae diz que a gente nao deve deixar de dizer que gosta das pessoas porque a gente fica adiando e de repente quando nos damos conta elas se foram. Entao, fica o registro.: Adoro voces! Sejam muito felizes! Bjs. Teresinha Carvalho

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