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Maria Rita diz que levaria “tomate e ovo” no palco se ousasse em músicas de Elis Regina

Fonte: RollingStone BR

Maria Rita

por PEDRO ANTUNES
29 de Out. de 2012 às 19:53

Com um barrigão de quase oito meses, toda de preto, cabelos curtos e cheios de cachos, Maria Rita surge minutos após a exibição de 11 canções presentes no CD, DVD e Blu-ray ao vivo Redescobrir, gravado no Credicard Hall, em agosto deste ano. É a materialização física do projeto Viva Elis, iniciado neste ano em homenagem à mãe dela, Elis Regina, que se foi em 1982, aos 36 anos. Uma lembrança aos 30 anos desta despedida, cujo lançamento está agendado para 6 de novembro, com tiragem de 80 mil cópias para CD e DVD.

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Na entrevista, ela sorri de um jeito diferente. É a Maria Rita mãe ali, prestes a dar à luz o segundo filho – desta vez, uma menina. Simpática, pede um papel e uma caneta, para anotar o nome dos 15 jornalistas convidados pela gravadora Universal Music para participar do bate-papo que durou quase 50 minutos. “Eu gosto de anotar o nome e assim todos podemos ser amigos”, brinca.

A felicidade está escancarada no rosto da cantora de 35 anos, prestes a entrar de férias. “Eu tenho esse compromisso [nesta segunda-feira, 29] e amanhã. Depois, não sei quais serão os planos”, diz a cantora.

Maria Rita não guarda memórias da mãe, garante, mas de alguma forma, ela sente Elis nas suas músicas. Por esse motivo, a linda “Aos Nossos Filhos”, composição de Ivan Lins, não foi incluída no set list da turnê e, obviamente, do registro. Os versos com pedidos de perdão – para a futura geração, claro, mas que também mascaram um pedido pessoal de Elis –, fazem com que a filha perca a fala e engasgue na tentativa de conter as próprias lágrimas. “Eu não tenho condições de cantá-la”, diz ela. Ela para e continua: “Não sei se algum de vocês já esteve em uma situação na qual os seus pais pedem perdão para vocês… É aquele momento em que paramos de enxergar nossos pais como super-heróis e os vemos como humanos”.

Registro fiel
Neste mergulho real pelo universo da Elis Regina humana, Maria Rita chegou a um repertório de 65 músicas. No disco, são 29, menos da metade do total, o que dá à cantora a possibilidade de fazer uma segunda parte. Ainda que não confirme, ela também não nega. “Não sei dizer se faria isso um segundo momento. Como intérprete, seria muito bom”, diz.

Os arranjos das escolhidas, como se pôde notar durante a exibição de faixas marcantes do cancioneiro de Elis – “Como Nossos Pais”, “O Bêbado e o Equilibrista”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Alô, Alô, Marciano” e o medley de “O Que Foi Feito Devera (De Vera)” com “Maria, Maria”, entre outras – apresentam pouquíssima alteração em relação aos originais impregnados à memória afetiva do público.

“Essa foi um pouco da proposta, mesmo. Em algumas músicas, se ousasse mexer em alguma coisa, poderia tomar um tomate ou um ovo”, acredita a cantora. “Entrei no lugar do público, que ouviu essas músicas há 30 anos. Mexer em certos arranjos pode ser frustrante. Quis respeitar a obra, fazer o mais próximo dentro das nossas limitações.”

O projeto todo se deu início ainda este ano, na turnê chamada Viva Elis, em que a filha de Elis passaria por cinco capitais executando o repertório da mãe. E ela mesma questionou a validade de se realizar tal projeto aos dez anos de carreira, com seis estatuetas do Grammy Latino na estante. “Tive essa insegurança de colocar um ponto final na minha carreira. Das pessoas dizerem: ‘Pronto, agora ela vai [querer] ocupar o lugar da Elis’”, confessa. Ela diz que para dizer o “sim” ao convite, o irmão João Marcelo Bôscoli teve um papel importante lembrando-lhe das conquistas próprias. “Era uma insegurança além do necessário. São 10 anos de carreira”, lembra.

A primeira música de trabalho, “Me Deixas Louca”, por sinal, foi escolhida para a trilha sonora da novela Salve Jorge, da TV Globo. Ao ser questionada sobre o motivo desta música – não tão popular quanto algumas outras –, ela diz que a decisão acabou partindo da gravadora, justamente por causa da novela. Por ela, a escolhida seria “Doce Pimenta”, uma parceria de Rita Lee e Roberto de Carvalho. “Essa música explica muito bem ela [Elis]”, afirma.
Maria garante que foi a reação do público que a incentivou, depois dos primeiros cinco shows gratuitos, a partir para uma turnê mais ampla, que culminou no registro da apresentação em São Paulo. “A proposta era levar isso ao maior número de pessoas possível.”

Ela admite a dificuldade em atingir os tons que Elis alcançava. “Ela tinha um estilo dela. Algo de garganta, de músculo”, conta ela, com modéstia, evitando as comparações entre os timbres de voz de ambas. “Se tivesse a voz dela já estava lá fora”, declara. Mas é brincadeira. A cantora revela que até seus filhos crescerem (o primeiro, Antônio, tem 8 anos), ela não passará mais de 20 dias fora de casa. “Para fazer sucesso lá fora, eu precisaria ficar 45 dias por lá”, explica.

Maria Rita revela que já tem ideias para três projetos – um deles, inclusive, tem o show montado em sua cabeça, mas ainda falta-lhe o repertório. Não dá mais detalhes por medo do “olho gordo”. Ela, que se diz uma “rata de palco”, por não conseguir ficar longe das performances, é conhecida por fazer tudo ao seu tempo – vide os 10 anos desde que despontou até homenagear a mãe. E, agora, a filha de Elis vai tirar um tempo para ser mãe pela segunda vez.

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