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Maria Rita diz que “chorou horrores” ao voltar a cantar após o nascimento da filha

 

Fonte: Folha/Monica Bergamo Fotos: Daniel Marenco/Folhapress

Tudo vai girar em torno de maternidade quando Maria Rita, 35, voltar aos palcos, hoje, Dia das Mães, em Porto Alegre. Não só pela data em que retoma a turnê “Redescobrir”, na qual interpreta o repertório de sua mãe, Elis Regina (e justamente na cidade em que ela nasceu). Mas também porque seu coração se dividirá entre o show e sua casa, no Rio, onde estará sua filha Alice, que completou cinco meses anteontem.

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“É essa batalha da mulher que sai de casa para trabalhar, que deixa filho em creche. Ave Maria, como é ruim isso, como é sofrido. Mas a gente faz”, diz ao repórter Marco Aurélio Canônico, num restaurante de Botafogo, no Rio. A turnê volta a São Paulo em 19 e 20 de julho.

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Em licença-maternidade desde dezembro, quando deu à luz sua filha com o músico Davi Moraes (primeiro rebento dele, segundo dela), Maria Rita está voltando ao trabalho “em doses homeopáticas”. “Por recomendação psíquica mesmo. A cabeça falou ‘vai com calma’.”

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O sinal veio durante uma apresentação pontual, de voz e piano, no Dia da Mulher, no Rio. “Esse show foi bem difícil, chorei horrores. Uma série de coisas na minha cabeça, muito tempo sem tocar, deixar meu neném em casa. Eu falei para a plateia: ‘Estou aqui com vocês, mas metade do meu coração está em casa, chorei muito antes de vir para cá, não estou completamente aqui’.”

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Alice é “saudável, esperta” e “grande, né?”. “Eu sou minúscula. Ela puxou ao pai, graças a Deus. A gente põe criança no mundo para melhorar, para avançar a genética, não é isso?”, diz, rindo.

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A cantora conta ter cuidado da filha sozinha nos primeiros três meses –só recentemente contratou uma babá. Fez essa pausa também para dar atenção ao primeiro filho, Antonio, 8, de seu relacionamento com o diretor Marcus Baldini. O garoto foi um dos incentivadores da nova gravidez, mas começou a ter ciúmes por dividir a atenção da mãe.

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“Precisei parar. O bebê recém-nascido você amamenta, troca a fralda, põe para dormir, dá um banho duas vezes no dia, é fácil. Uma criança de oito anos já requer atenção maior, por causa dessa maturidade emocional. Ele já sente coisas, mas não sabe colocar para fora.”

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A segunda maternidade, aos 35 anos, tem sido uma experiência mais difícil, relata a cantora.

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“Tudo muda, velho. O ritmo, a cabeça, o corpo. Não sei se é porque eu tive filho tanto tempo depois, estou me sentindo meio mãe de primeira viagem de novo. Me sinto mais medrosa, mais preocupada. Não sei também se é por ser uma filha. Eu me cobro para criar uma menina que venha a ser uma mulher independente, liberta dos preconceitos do mundo.”

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A preocupação feminista “é instintiva” e, pelo que ela diz, quase obsessiva. “Eu tô voltando pra terapia, isso tudo vai melhorar. No próximo Dia das Mães a gente tem essa conversa de novo e tudo vai ser mais fácil.”

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Faz terapia desde o nascimento de Antonio. “Funciona muito para mim. Quando me organizo, faço duas vezes por semana. Costumo dizer que é uma para o CNPJ e uma para o CPF. É muito bom ter um canal para extravasar, além da possibilidade do autoconhecimento.”

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Maria diz que é feliz. “Mas poderia ser um pouquinho mais, se tivesse mais tempo para mim.”

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“Outro dia estava com uma amiga, falando da batalha para voltar à minha forma. Ela me falou ‘imagina, você acabou de ter filho, você pode’. Não posso, a maternidade não é carta branca para tudo desandar na sua vida. A mulher tem autoestima, libido, suas vontades, isso não pode ficar à parte porque você teve um filho. A mulher não pode esquecer que é mulher, antes de ser mãe.”

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Ela controla a alimentação –durante a entrevista, na hora do almoço, come apenas um gaspacho, pedido pela empresária, Marilene Gondim. E pretende retomar a malhação com um personal trainer. “Não posso me dar ao luxo de não fazer nada. Depois dos 30, o metabolismo fica irritaaaante, exigente”, diz, fazendo careta.

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A volta aos palcos tem a ver com “respeito ao público” e “contas a pagar”. “O mercado no Brasil está um grande desafio para quase todos.” Lançou CD e DVD do show “Redescobrir” em novembro. Ele se tornou um dos mais vendidos de 2012 e ganhou disco de platina.

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Uma das questões que a mobilizam é a multa de R$ 38,2 milhões aplicada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). Ela diz que pretende entrar no abaixo-assinado Vivo de Música, que já reuniu mais de 800 assinaturas de artistas –entre elas a de seu sogro, o cantor Moraes Moreira– contra a punição.

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“A gente falou bastante disso em casa. Vou assinar também. A gente precisa de um escritório de arrecadação. Multar o Ecad não vai melhorar em nada, isso me parece retaliação de algum poderoso que está incomodado.”

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A representação contra o Ecad foi feita pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA); a entidade briga há anos por conta dos valores a serem pagos pela execução de músicas em TV e acusa o Ecad de participar da formação de um cartel.

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Mas e os diversos artistas que também reclamam do Ecad? “Tá ruim, tá incomodando? Então, a gente tem que se unir e trabalhar para melhorar. Essa multa não partiu da classe, partiu de um outro lugar. Precisa entender essa acusação, essa multa de R$ 38 milhões vai ser paga para quem?”, questiona ela. E segue: “Já que estão processando, querendo falar em meu nome, quero saber para onde vai esse dinheiro”.

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A manifestação política não é corriqueira nas entrevistas de Maria Rita –segundo ela, porque “ninguém pergunta”. Diz que é eleitora de longa data do PT. “Votei no Lula nos dois mandatos, tenho uma veia meio de esquerda. Votei na Dilma [Rousseff] também e, no geral, estou satisfeita. Ela tem um pulso firme. Viajo país afora e vejo os resultados nas classes inferiores. É claro que isso incomoda uma certa elite.”

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Sobre o julgamento do mensalão, diz que não acompanhou muito, por causa da gravidez. “Não foi uma farsa, acho que aconteceu, sim. O que me incomodou nessa história toda é que… [pausa] Não sei, me parece uma perseguição ao PT, né? Por que nenhum outro governo, que fez tantas maracutaias, tantas roubalheiras e tanta corrupção quanto, foi julgado?”

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As preocupações políticas são menores, diante do foco nos filhos e na turnê que ela trata como parte de sua “missão” para “manter o nome dela [Elis] vivo”.

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“É uma missão mesmo, e que eu já faço desde que me entendo por gente. “A primeira vez que me sentei numa reunião a respeito de um produto com o nome da minha mãe foi aos 12 anos. Eu sempre fui muito madura, conseguia entender e questionar se seria positivo. E foi importante eu começar a me aproximar da minha mãe, nem que fosse por esse lado burocrático.”

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Hoje, com o sucesso da turnê em homenagem a Elis, o alívio é evidente.

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“Fiquei apavorada, bicho, com medo de que esse show pudesse acabar com a minha carreira. Ou porque, a partir dali, eu só ia poder cantar Elis, ou porque ia ser um desastre completo e eu ia ter de me esconder no primeiro buraco que encontrasse. Mas isso não aconteceu.”

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