Início > Uncategorized > “Grande dama da MPB”, Maria Rita abre festival em Uberlândia

“Grande dama da MPB”, Maria Rita abre festival em Uberlândia

Fonte/Reprodução: Correio de Uberlândia Texto: Carolina Monteiro

“Eu não nasci no samba, mas o samba nasceu em mim. Quando eu pisei no terreiro, ouvi o som do pandeiro, me encantei com o tamborim”. Com estes versos, a cantora Maria Rita encerra o segundo disco inteiramente dedicado ao samba, “Coração a Batucar”. Se a “grande dama da MPB” se entregou ao som dos terreiros, foi com o fôlego das novas gerações, unindo referências dos 12 anos de carreira. A cantora brinda a estreia do Festival MPB de Uberlândia, que acontece hoje, no Center Convention, e traz ainda uma seleção de grandes nomes da MPB locais.

Na segunda vinda à cidade, Maria Rita apresenta o show “Coração a Batucar”, que retoma o repertório do disco lançado em 2014. “Também vou levar canções de meus outros álbuns, sob a perspectiva sonora dessa banda, desses músicos”, diz a cantora, em entrevista exclusiva ao CORREIO de Uberlândia.

maria-rita1

Liderada por Davi Moraes na guitarra, com Alberto Continentino no baixo, Rannieri de Oliveira no piano e Wallace Santos na bateria, “essa banda” a acompanhou em estúdio, criando a atmosfera de uma autêntica roda de samba para o trabalho.

Primeiro trabalho produzido pela cantora, o álbum “Coração a Batucar” é “para se acabar de dançar”, como diz Maria Rita, mas coabita as palmas com a guitarra, que ocupa o espaço da percussão, aliados à harmonia do piano. Os arranjos são, aliás, assinados pelo multinstrumentista Jota Moraes, que se consagrou como arranjador em todas as áreas da MPB. Teve papel importante na carreira e na obra de Gonzaguinha, com quem trabalhou por mais 15 anos. Fez arranjos para Elimar Santos, Zé Ramalho, Emílio Santiago, Alexandre Pires.

[…]

Segundo cantora, CD “Coração a batucar” faz ligação com “Samba Meu”

A cantora Maria Rita, em entrevista exclusiva para o CORREIO de Uberlândia, sobre o espetáculo que faz hoje em Uberlândia:

CORREIO DE UBERLÂNDIA – O disco “Coração a Batucar” foi gravado em uma roda de samba e você traz a mesma atmosfera para o palco. Quais foram os propósitos que guiaram a produção deste show?

Maria Rita – O show traz para o palco o clima do “Coração A Batucar”, sua textura e estética. O propósito é sempre emocional: a nossa emoção de fazer música e a de cada pessoa ao escutar. Podemos raciocinar, racionalizar, todavia, qual é o centro de tudo? Os sentimentos evocados e criados pela música.

Durante seus 12 anos de carreira, você se consagrou como a “grande dama da MPB”. Coração a batucar é considerado “um reencontro com o samba”, em que você reafirma o seu samba no pé. Como se originou a sua relação com o gênero musical?

A admiração é desde sempre; a consolidação pública dessa relação foi o Samba Meu, inicialmente, um projeto especial, que naturalmente foi crescendo e trazendo novos horizontes pra minha música, pro meu canto. Já há algum tempo o samba é parte da minha vida.

Na música que abre o disco “Meu samba, sim, senhor”, você traça uma relação direta com “Samba Meu”, seu primeiro disco inteiro de samba. Quais os processos que você viveu que a levaram a sair de “Samba Meu” e chegar em “Coração a Batucar”?

Houve dois álbuns (“Elo” e “Redescobrir”) e seus respectivos shows. Portanto, foi um grande arco entre os dois momentos, com diversos acontecimentos. A música “Meu samba, sim, senhor” aparece como a retomada de um papo, de um diálogo musical já estabelecido. Uma ponte entre dois momentos repletos de significados.

Como foi a experiência de assinar a produção e a direção artística de Coração a Batucar?

É uma vitória criativa e política dos artistas essa conquista (ao assumir a produção artística). Sempre tive voz ativa nos meus trabalhos e com o passar dos anos fui adquirindo mais experiência, fui aprendendo mais e, consequentemente, tendo mais condições de crescer nesse campo.

O que representam o primeiro disco de ouro por “Coração a Batucar” e suas demais conquistas, como os Grammys?

São um grande estímulo, um referendo do público, dos colegas que votam no Grammy e também da crítica. Tudo isso alimenta a alma e dá energia para seguir em frente.

O que mudou na relação com os fãs nos últimos anos, em tempos de internet, em que a relação é mais direta?

Meus fãs são muito ligados ao meu trabalho em si e menos a minhas questões pessoais – que hoje ficam embaladas sob a égide da chamada indústria das celebridades. Realiza-me perceber esse foco na minha música, naquilo que canto e, de alguma forma, represento. A ligação fundamental entre mim e meus fãs é a música.

Como você observa a presença dos artistas na internet?

A internet é um meio ainda revolucionário – e estamos bem no começo dessa era. A independência, a autonomia e a desintermediação dessas relações são um dado histórico e algo completamente a nosso favor, quando usados com sabedoria e respeito mútuo.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: