Archive

Posts Tagged ‘entrevista’

RTP: Só Visto – Reportagem com Maria Rita

25 de julho de 2011 1 comentário

(Fonte: http://www.rtp.pt/sovisto)

O SHOW

“A voz é um instrumento musical sempre. A voz é mais um instrumento em cima do palco. Esse show tem um nascimento, um gestacional um pouco mais diferente que os outros. Foi depois do encerramento da turnê do ‘Samba Meu’, que foi em maio do ano passado (2010). Eu achei que fosse ficar de férias, brincar com o filho, plantar flores, alface… enfim, achei que eu ia ‘fazer uma dona de casa’, mas não consegui. Meu irmão fez uma aposta comigo, ele falou ‘eu te dou dois meses! Dois meses é o que você vai durar longe do palco’ e não chegou tanto. Não consegui nem isso.”

“É uma caixa preta, não tem cenário, os músicos de preto, eu de preto… é uma coisa muito ‘a música’, mesmo. São canções que há muito eu não cantava, tinha saudade de cantar e o show não tem nem nome! No Brasil é engraçado, porque os fãs perguntam o nome do show e eu respondo: Não tem. Esse show nasceu num palco pequenininho, não tinha intenção de que fosse a lugar algum.”

FORA DO BRASIL

“Cantar fora do Brasil é muito interessante, é muito forte, é uma situação onde eu saio completamente do lugar comum. E existem aspectos culturais de como cada cultura ouve a música.”

“Eu sinto uma coisa diferente quando venho para Portugal. Eu sinto realmente, de verdade. Foi aqui a primeira vez que senti meu filho mexendo, eu vim pra cá ainda gravidinha, quatro meses… enfim. Eu falo brincando que um dia eu vou ficar muito famosa, muito importante, muito rica e vou comprar um apartamento em Lisboa pra mim e vou passar as férias! (Risos)”

A MÚSICA, FAMA, GRAMMYS

“Foi um processo muito solitário. Sempre tive que a música é o nosso ‘ganha pão’. É divertimento da porta pra fora, é divertimento pra quem ta ouvindo. Enquanto cantora, enquanto artista a minha obrigação com a música não é o divertimento é o trabalho.”

“Parte do público da minha mãe se sentiu ofendida com o meu surgimento; porque há semelhanças, que são explicadas pela genética. Então vá conversar com um cientista, porque nem eu entendo, mas é um trabalho constante: o fato de eu ter esperado tanto tempo e ter amadurecido isso de uma forma tão fundamental para mim era aquilo que eu precisava fazer. O tempo que eu precisei ter comigo mesmo para não ser engolida pelas expectativas, pelas cobranças, pro ser filha de quem sou. Dessa história que não é minha. Faz parte da minha vida, mas não é minha. É dela.”

“A paixão me motiva cantar. O prazer de ver o brilho no olhar das pessoas e curiosamente como cada pessoa se relaciona com uma canção… Continuo sendo tímida, quando dá um nervoso, fecho os olhos, fecho as mãos, agarro o vestido! Mas acabei aprendendo a lidar, mas continuo um tanto atrapalhadinha… quase esquisita”

“Um prêmio é uma fotografia daquele momento. No momento é sensacional, é incrível. Choro, eu quase morro! E dali pra frente tudo pode acontecer… Pode ser uma viagem de egocentrismo. Uma coisa de ter ganhado seis Grammys tem que ser usado de forma inteligente. Tem um ditado no Brasil que diz: Quem vive de passado é museu!”

Entrevista: Conversa de Botequim

3 de abril de 2011 1 comentário

(por Alessandro Meiguins e Marina Lima, do Rio de Janeiro)
Retratos: Marcio Scavone

(Adaptado de: Portal Alone – Living Alone)

< assista ao vídeo das fotos

https://i2.wp.com/portalalone.terra.com.br/img/galeria_thumb/328/3268-826x436.jpg

Maria Rita: Mas pede a com mel e limão, rapá!

Alessandro Meiguins: Hum, que dúvida…
Marina Lima: Ó, estamos na Academia da Cachaça, hein! A gente não pode fazer feio.

Maria Rita: Vamos, cachaça mesmo… Então cê vai tomar, né?

Alessandro: Eu vou tomar a com mel e limão e mais uma, a Vale Verde.

Marina: O.k., quatro cachaças com mel e limão, uma Vale Verde e uma Original! Bora.

Rio 40º — à sombra. Começo de janeiro, verão a pino. Passa das 14h no Leblon, mais precisamente na rua Conde Bernadotte. Numa mesa para quatro pessoas, dois gravadores, dois jornalistas, um manager, uma cantora polivalente, quatro copos americanos (para a cerveja) e cinco copos menores, cheios de cachaça. Brinde. “Feliz Ano Novo!”

O.k., Maria Rita tinha imaginado algo mais chic, mais ao seu estilo cool. Mas, numa tarde de segunda-feira ensolarada, todos os restaurantes asiáticos do bairro estavam fechados. Por sua escolha e gosto – também popular e simples “sim, senhor!” – aterrissamos no boteco e pedimos cachaça. Com uma explicação: “Adoro a feijoada daqui”, diz a cantora. “Quando fazia show no Rio, pedia para entregar a feijoada em casa para toda a equipe. Vinha com essa cachaça aí. Era uma loucura, virava samba. Até que um dia vi meu banquinho do Philippe Starck virar bateria”, conta, referindo-se ao objeto traçado pelo designer francês. “Quando fui dar uma bronca me jogaram na piscina. Rolou depois aquele silêncio… ‘Ih, jogaram a chefe n´água!’ Mas entrei na brincadeira, que virou briga de galo. E ganhei. Mas devem ter deixado, né?”

Foi, assim, bem à vontade, que a Maria por trás da cantora começou a conversa – que, a contragosto de sua agenda, duraria quase quatro horas.

Apaixonada por Cartas a um Jovem Poeta (do tcheco Rainer Maria Rilke, 1875-1926), que já leu oito vezes (com direito a caderninho de anotações na última), ela se considera “determinada, focada e um pouco compulsiva, eu não sei bem o termo exato, mas não é nada dramático”. Paulistana da Serra da Cantareira (“falo ‘bicho’ há 200 anos”), do dia 9 de setembro de 1977, autora há seis anos do filho único, Antonio (com o diretor de cinema Marcus Baldini), ela relutou em seguir o mesmo ofício da mãe, a eterna Elis Regina (1945-1982), ou do pai, o pianista, arranjador e compositor César Camargo Mariano. Mas o que poderia surgir dessa família senão filhos com a música circulando nas veias? Maria ainda é irmã de João Marcello Bôscoli, dono da gravadora Trama, do cantor Pedro Camargo Mariano, do instrumentista Marcelo Mariano e de Luiza, que aos 24 anos mora em Boston, canta e produz artistas.

VIDA DE ESTAGIÁRIA

Sua alma, por muito tempo, foi feita de laudas, livros e filmes fotográficos. Dois estágios acabaram por pontuar seu début existencial. O primeiro, ainda adolescente, no auge da revista Capricho (Editora Abril), a deixou fascinada. Em dez meses começou abrindo cartas e terminou escrevendo resenhas. Muitas vezes foi ao Dedoc (Departamento de Documentação) e, enquanto pesquisava promissores modelos (como Luana Piovani e Rodrigo Santoro), recebia pastas escolhidas a dedo pelo pessoal do arquivo: fotos e fotos que ela nunca tinha visto, todas inéditas, de sua mãe.

Na hora de optar pela profissão, quando já morava nos Estados Unidos com o pai, não hesitou. “Eu sou comunicóloga, mas queria mesmo ser jornalista. Amo revistas. Mas só consegui crédito para fazer Comunicação na NYU (New York University).” Nos momentos finais para completar o curso, viveu uma reviravolta de certa forma inevitável. “Precisava dos créditos pra me formar, então meu orientador sugeriu um estágio na Warner, o único que ele tinha disponível.” Assim, a música caiu no colo de Maria Rita. Ou quase. Pois ainda faltava um empurrãozinho, como ela mesma conta abaixo.Antes disso, mais uma rodada de cachaça com mel e limão.

E mais uma cerveja, que, por sorte, trincava antes de escorregar para o copo.

GALERIA:


Leia mais…

Papo exclusivo com Hugo Prata

30 de dezembro de 2010 2 comentários

Este é o último post de 2010 do Portal Maria Rita! Gostaríamos desde já desejar a todos que acompanham o nosso fã site um excelente 2011, com muita paz, saúde e com muitos shows da Maria Rita! E como presente para Maria Rita, nós entrevistamos um grande amigo dela, o Hugo Prata – ele é diretor do DVD Samba Meu (2008) e de alguns clipes dela, como ‘Num Corpo Só’ e ‘Não Deixe o Samba Morrer’. Esperamos que todos gostem do post, e que tenham um maravilhoso ano novo!

À queridíssima Maria Rita: Muita paz, saúde e sucesso! Que venham muitos shows, emoções que possamos compartilhar e que essa alegria maravilhosa que você transmite a todos nós, fãs, se multiplique!  Que sua luz continue a brilhar e que seu canto continue a encantar cada vez mais. Que você ilumine a vida de muitos outros, como iluminou as nossas… e que nos prepare um disco novo – duplo de preferência, ou com muitos bônus, rs… Feliz 2011, Cantora!

Ao querido Hugo: Muitíssimo obrigado, mais uma vez, você é show! Feliz 2011!

Equipe Portal Maria Rita @PortalMR (@wesmariano @rachelviana @vitoriadb @lorenacardoso)

PMR: Como surgem as propostas para os clipes?

HP: O artista, ou a gravadora, nos fazem o convite  no momento de lançar um disco ou um single. O videoclipe é uma importante peça na divulgação do trabalho.

PMR: Como é o desenvolvimento (amadurecimento) da idéia de um videoclipe?

HP: No meu caso procuro ir na essência da canção, as vezes a letra, as vezes a mensagem. Para isso converso com o artista pra tentarmos traduzir o sentimento daquela canção e assim transformar em imagens, em poéticas visuais.

PMR: Você tem algum trabalho em que tem mais orgulho de ter feito?

HP: Tenho muitos, graças a Deus. Mas o show “Samba Meu” sem dúvida é motivo de imenso orgulho, satisfação com os resultados, conseguimos ali botar pra fora tudo que MR queria e merecia.  Ficou demais!!

PMR: Como é trabalhar com Maria Rita? Como começou essa parceria que resultou um trabalho tão lindo?

HP: Trabalhar com MR é difícil (risos) Muito talentosa que é, inteligente e, principalmente, profunda e intensa, faz com que tudo fique mais sério e comprometido. Nossa parceria começou quando eu pedi pra trabalhar com ela. Achei que ela não ia dar bola, mas ela me ligou no dia seguinte e disse: “Vamos sim, também quero!!” E então deu mega certo.

PMR: “Samba Meu” foi uma turnê que trouxe várias novidades aos fãs, pois além de ter a MR cantando um cd repleto de sambas, veio com novos cenários, figurino e produções em geral.  Para isso, houve a participação de uma grande equipe. Como sua contribuição e participação nisso tudo foi acontecendo?

HP: Vendi esse peixe pra ela, de fazer um show grande, com várias ferramentas, cenários, projeções, trocas de roupa, e muita linguagem de luz (sou viciado em luz boa).  Ela topou na hora e me disse que queria um show feminino, brasileiro e  alegre. E então começamos a conceber, e foi legal porque as idéias surgiam e tudo era muito em sintonia. Depois chegaram os geniais parceiros Zé Carratu (cenário), Marcos Olivio (luz), Fause Haten (figurino), Karina Ades e Raquel Falkenbach (projeções). Meu papel era conceber, traduzir todas canções pro palco, criar um roteiro de todos esses elementos e a convergência  entre  eles. Deu muito trabalho, mas ficou lindo!! Claro que nada disso seria possível sem os incríveis músicos que dividem o palco com ela.

PMR: Particularmente, tem alguma música favorita da Maria Rita, ou até mesmo um disco?

HP: São muitas, claro. Mas posso te dizer que “Muito Pouco” é uma das prediletas.

DVD SAMBA MEU AO VIVO (2008)

PMR: E o que você costuma ouvir? Por exemplo, no carro…

HP: Xiiii, velho, muita coisa. De Lenine a Foo Fighters. de Michael Jackson a Planet Hemp.  Basicamente música negra, música  brasileira e mais um monte de coisas. Não caberia tudo aqui, consumo muita música.

PMR: Uma mensagem para Maria Rita:

HP: Vai que é sua, Taffarel!!! (kkkkk)

PMR: Considerando que grande parte dos leitores do Portal Maria Rita é representada pelo público jovem, você tem alguma dica pra quem tem interesse na área de cinema?

HP: Tenha interesse por tudo!! Você nunca sabe qual será o próximo trabalho.

PMR: Quais os seus planos futuros, ou melhor, o que podemos esperar em 2011?

HP: Meu plano é estar com MR quando ela for conceber o próximo trabalho. E muitas coisas mais. Tenho minha produtora, faço muita coisa, TV, música, internet, publicidade, fotos, sou muito inquieto. 2011 vou voar!!!

*

Tomamos a liberdade de perguntar no twitter o que outros fãs perguntariam para um amigo da Maria Rita, e eis que surgiram váárias perguntas, aqui estão algumas:

“Vocês pedem para ela (MR) cantar, sempre? Dar uma “canjinha”…?” via @alberto_andrade

HP: sim, eu peço e ela sempre canta. É divertidíssimo!!!

“Como você conheceu a MR?” via @dressamedeiross

HP: Sou amigo de longa data do irmão dela, João Marcello. Agora ela é um dos meus maiores amigos.

Leia mais…