CAB | Ingressos para o show na Fundição, RJ!

CAB | Ingressos para o show na Fundição, RJ!

Nossa musa de volta, tem Maria Rita em abril na Fundição Progresso. Show inédito, “Coração a batucar”, garanta já o seu ingresso!

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CAB | Site divulga setlist da tour ‘Coração a Batucar’

Sete anos se passaram desde que Maria Rita lançou “Samba Meu”, seu primeiro álbum dedicado ao gênero que estampa no título. O site divulgou hoje o setlist da tour Coração a Batucar. Agora, a filha de Elis Regina retorna ao estilo no disco “Coração a Batucar”, que chega às lojas no dia 8 de abril. E, dessa vez, a artista de 36 anos se diz mais livre e com mais intimidade para poder até brincar com a voz. Mas atenção, esse artigo não é real, é apenas uma brincadeira de primeiro de Abril. Fizemos (Eu, Wes, fiz, na verdade) pra não perder a tradição aqui do PMR (Quem lembra da ‘Volta do Samba Meu?’), e pra brincar com esse “lead” que os jornalistas estão fazendo nas matérias sobre ‘CAB’.  Tcharam! Mas enfim, conta pra gente, qual música não pode faltar na nova turnê? E feliz 1º de Abril, o dia da mentira!

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(Esta imagem é fake)

CAB | Maria Rita: “Ninguém faz o repertório de Elis Regina tão bem quanto eu”

Fonte: IG

“Amigo é pra essas coisas”, diz o título do samba de Silvio da Silva Jr. e Aldir Blanc. Pois foi com esse mesmo espírito que a cantora Maria Rita selecionou outros 13 sambas em seu novo disco, “Coração a Batucar”, o segundo de sua carreira integralmente dedicado ao gênero.

“Usei das minhas amizades dentro do universo do samba”, diz a cantora em entrevista ao iG, explicando seu principal critério de pesquisa para montar o repertório do álbum, da qual também é produtora.

Gravado de maneira mais orgânica, “quase ao vivo” no estúdio, o novo trabalho conta com a guitarra do marido, o músico Davi Moraes, que subverte o atual padrão de registro de canções do gênero por conta do uso do instrumento. “Mais do que talentoso, ele é meio camaleão no tocar. Tem hora em que tem a pegada do violão de João Gilberto, tem hora que ele toca como um cavaquinho e tem hora que toca como percussão”, descreve Maria Rita.

Em entrevista ao iG, a cantora revela outros detalhes sobre a gravação de “Coração a Batucar” (que traz ainda a luxuosa e afetiva participação do filho Antonio, de 9 anos), fala sobre a experiência da turnê dedicada ao repertório de Elis Regina, sobre a polêmica das biografias e comenta declaração do novelista Agnaldo Silva, que disse que não quer ouvi-la cantando a música de mesmo nome de sua próxima novela, “Falso Brilhante”, “imitando a mãe”.

iG – Sete anos depois de “Samba Meu”, você dedica um novo disco inteiramente ao gênero. O que te levou de volta a esse caminho?
Maria Rita - Não sinto este disco como uma “volta”. Nunca deixei de viver o samba. O que aconteceu foi o seguinte: “Samba Meu” foi um projeto especial para mim, mas o encerramento da turnê, que durou cerca de dois anos e meio, foi muito sofrido. Não queria ter parado, foi totalmente contra a minha vontade. Contratantes de algumas das principais cidades do país já não queriam mais o show, pois estes mesmos lugares já haviam visto essa turnê mais de uma vez. Com isso, anunciei os últimos shows em algumas capitais e encerrei.
Do anúncio até o último show, realizado em Belo Horizonte, chorei todas as noites. Mal consegui cantar na capital mineira. De lá para cá, senti uma saudade eterna. Era um sentimento de abandono, solidão. E isso foi muito intenso.
Quando veio o Rock in Rio, no palco Sunset, no ano passado, levei as músicas do Gonzaguinha para o festival. Aí percebi o quanto tu estava sentindo falta do samba. Em outubro, comecei a pesquisa de repertório. Em novembro, entrei em estúdio. E, em dezembro, o disco já estava pronto. É uma continuidade, um momento a mais.

iG – Como foi a pesquisa para montar o repertório do álbum?
Maria Rita - Usei das minhas amizades dentro do universo do samba. Para os compositores mais íntimos, escrevi e-mails, liguei ou mandei mensagem. Em alguns casos, rolou entre os compositores a notícia de que eu estava gravado um novo disco, e me chegaram mais mensagens por e-mail. Outros tantos chegaram através da gravadora. Neste disco há algumas músicas que os compositores fizeram pensando em mim e na minha história. Marcelinho Moreira escreveu “Meu Samba, Sim, Senhor” depois de uma conversa que tivemos após um show da turnê de “Samba Meu”. Já “É corpo, É Alma, É Religião” o Arlindo Cruz e o Rogê e o Arlindinho começaram a escrever pensando na minha história com o samba (“Eu não nasci no samba / Mas o samba nasceu em mim”).
Outras duas músicas do Xande de Pilares me chegaram via gravadora com um recado carinhoso. “Saco Cheio”, de Almir Guineto, já tinha escolhido antes de tudo. Ainda cheguei a comentar: “Independentemente do próximo disco que venha a gravar, essa música tem que estar”. Ouvia 200 vezes por dia! Então, tem de tudo um pouco. Mas não tenho um critério. Estou num momento muito sereno da minha vida: casada com o homem que amo, ao lado de uma família linda. Venho de um projeto superbem recebido (“Redescobrir”, em que gravou repertório de Elis Regina). Não tenho dramas para cantar e isso me liberta para ser puramente uma intérprete.

iG – Por que optou por uma gravação “quase ao vivo” no estúdio?
Maria Rita - Porque me cansa um pouco essa limpeza quase hospitalar dos discos atuais. Fico um pouco claustrofóbica, me dá certa aflição. O cantor e o músico são humanos. Há luz e sombra. Tenho um pouco de medo de mostrar ao meu público só a luz. Não consigo vender a estética de que está tudo bem, de “olha como eu sou feliz”. Meu público me vê chorando, cantando com sangue nos pés, cantando com dor. É uma entrega irrestrita no palco. Não tenho por que fazer diferente em estúdio. Então, gravar “ao vivo” e escolher uma canção mesmo que eu esteja com a voz embargada mostra esse lado humano. Pensar que as pessoas não entendem isso é partir do princípio de que seu público é burro. E não foi o que me ensinaram. Não digo que quem não faz dessa forma está errado, mas a minha proposta estética passa pelas sombras do ser humano, pela imperfeição, pelos riscos e pela responsabilidade que tenho para com o público.

iG – Gravações de samba, em geral, contam com instrumentos acústicos, mas em “Coração a Batucar” a guitarra é onipresente.

Maria Rita - Casei com o filho de um “novo baiano”, deu nisso (risos). A guitarra tem muito a ver com o Davi (Moraes, guitarrista casado com Maria Rita e filho do cantor e compositor Moraes Moreira) e com o Rock in Rio. A partir do momento que cheguei à conclusão de que cantaria músicas de Gonzaguinha no festival do ano passado, comecei a pensar em como as apresentaria para o público. Escolhi sambas mais rasgados, mais a ver com a consciência social dele, que era bem escancarada. Não queria deixar de fazer samba, mas queria expandir. É aí que entra a guitarra do Davi. Mais do que talentoso, ele é meio camaleão no tocar. Tem hora em que tem a pegada do violão do João Gilberto, tem hora que ele toca como um cavaquinho e tem hora que toca como percussão. Davi é muito versátil e inteligente, musicalmente falando. Com isso, agrega à minha vida de musicista com essa coisa destemida de experimentar, que também tem muito a ver com criação musical que ele recebeu do pai. Curiosamente, nas primeiras conversas que tive com o Jotinha (Jota Moraes, arranjador), ele concluiu que montei uma banda de samba da década de 1950, que usava a guitarra, e não tanto os instrumentos que consideramos tradicionais hoje. Não era minha intenção, mas acabou funcionando muito a favor do disco. “Coração a Batucar” vem com um pouco mais de liberdade.

iG – Como foi a participação de seu filho Antonio no disco?
Maria Rita - Ele se meteu lá no meio e seduziu todo mundo. Voltei de uma pausa para um café e o vi mexendo nos instrumentos de percussão junto com o André (Siqueira, percussionista), que estava ensinando Antonio a tocar. Ele logo pegou o jeito, principalmente o tamborim, o que deixou todo mundo impressionado. Ele tem uma musicalidade gritante. E alguém falou: “Toca nessa música aí”. Era “Vai Meu Samba”, que pedi que fosse calcada na levada do tamborim. Eu deixei. O pior que poderia acontecer seria gravarmos novamente. Ficou bom, ficou fofo. Ele ainda quis negociar o cachê depois. E conseguiu (risos).

iG – Você se emocionou várias vezes nos ensaios de “Rumo ao Infinito”. Algum motivo em especial?
Maria Rita - A beleza da canção mexeu comigo. A história que ela conta eu nunca vivi. É verídica, mas não é minha. E é linda. A música tem uma melodia que, mesmo sem letra, já se entende do que se trata. Isso mexeu muito comigo não só os ensaios, mas quando a ouvi pela primeira vez. Imediatamente enviei a música ao Jotinha, por e-mail. Já na segunda audição, eu chorava copiosamente. Ela meio que já nasce clássica. Traz aquela sensação de que você já a ouviu.

iG – E como foi acumular a função de produtora do disco?
Maria Rita - Foi um exercício muito bom, mas exaustivo. O “Coração a Batucar” mostrou que ainda tenho muito que aprender antes de produzir algum outro artista. Pois não descarto isso de forma nenhuma. Quero aprender a mexer na mesa, aprender sobre periféricos, sobre microfonação. Quero fazer cursos. Sou CDF. Gosto desse processo todo, e adoraria fazer isso para alguém. Este disco mostrou que sou capaz e que estou no caminho certo. Estou muito feliz com o resultado.

iG – Já há algo definido com relação à turnê?
Maria Rita - O show já está pronto. Passei janeiro ensaiando. O roteiro já está fechado, e a gente volta a ensaiar apenas para a pré-estreia de 12 de abril, que será em Lorena. Será um ensaio aberto. Depois fazemos a estreia para valer aqui na Fundição Progresso, no Rio, em 26 de abril.

iG – O álbum será lançado em vinil?
Maria Rita - Ainda não conversamos sobre isso, mas curto muito essa onda. Temos duas vitrolas em casa, e Davi tem sei lá quantos discos. E ainda ganho outros de presente. Acho lindo. Para lançá-lo em vinil há todo um processo de remixagem e remasterização, para que caiba tudo na bolacha. Mas seria muito legal.

iG – Qual é a relação que você faz entre seu trabalho, a internet e o contato com os fãs por meio das redes sociais?
Maria Rita - Vou ser sincera: até dou meus palpites, mas confio muito mais na assessoria de imprensa e no marketing da gravadora. Até porque, se depender de mim, vou querer tomar conta do processo inteiro. Quanto às redes sociais, entrei no Twitter em 2008, mas mais para ter um jeito mais rápido de conversar com meus amigos nos Estados Unidos. Quando percebi, tinha uma galera me seguindo. Também tenho Instagram, mas Facebook eu não curto. Tem uma galera que cuida da minha página, mas eu não entendo muito. Apesar disso, acho essas ferramentas fundamentais. Sou muito cobrada pela equipe de internet, assim como também me cobro muito em relação a esse assunto, mas tenho um excesso de cuidado acerca da minha privacidade. Já me fez muito mal. Como disse o Ziraldo: “A internet conseguiu dar palco pro canalha, pro invejoso”. Aconteceram coisas comigo e pensei: “Parei. Isso não é para mim”. Isso me alimenta uma culpa, pois acho que deveria dar mais atenção ao Twitter e ao Instagram. Às vezes, acho que preciso estar mais próxima do público do que da minha família. Encontrei o seguinte equilíbrio: em dia de show, sou deles. Quando não tenho que trabalhar, sou da família e dos amigos.

iG – Falando em internet, Agnaldo Silva publicou uma mensagem em seu blog sobre sua próxima novela, batizada provisoriamente de “Falso Brilhante”: “É um título ótimo, desde que não me ponham na trilha sonora a Maria Rita a cantar a música do mesmo nome imitando a mãe dela… Ou eu corto os pulsos”. Você chegou a ler essa declaração?
Maria Rita - Sim, fiquei sabendo por meio de um fã. Mas eu não tenho nada a falar sobre isso. Não vou ficar rebatendo agressividade gratuita. Só aponto um equívoco: “Falso Brilhante” não é o nome de uma música, e sim de um espetáculo e de um álbum de minha mãe.

iG – Como você avalia o impacto do projeto “Redescobrir” sobre sua carreira, passado algum tempo?
Maria Rita - Nossos universos, meu e de minha mãe, se encontraram. Foi uma viagem muito profunda. Como artista, me modificou de um ponto de vista mais técnico, porque são canções altamente desafiadoras em relação a melodia, harmonia, extensão de voz e interpretação. Depois de cantar esse repertório por um ano e meio, agora sei que sou uma cantora de alto nível. Posso soar pedante dizendo isso, mas tenho certeza de que ninguém faz o repertório de Elis tão bem quanto eu. Hoje consigo expandir minha capacidade vocal, desde o alcance às texturas.
“Brinco” mais com a minha voz, me sinto mais à vontade para fazer coisas que antes nem sabia que tinha capacidade. Consigo saber muito melhor até onde posso ou não posso ir, vocalmente falando. Também me modificou na questão do entendimento da força que um artista tem na vida de uma pessoa, na vida de um país.
Música não é só a bagunça e a alegria. De cima do palco, olhava a comoção, a alegria e a saudade com as quais as pessoas reagiam. Acabou sendo um show muito familiar para o público e para mim. Percebi muita cumplicidade das pessoas vendo a filha de Elis Regina ali. Não era mais uma cantora interpretando ou fazendo um tributo como tantas já fizeram. Era a filha cantando para caralho as músicas da mãe, para a mãe.
Quando cantei “O Bêbado e a Equilibrista” para um mar de gente no Parque da Juventude, em São Paulo, vi a força que um artista pode ter na vida de um ser humano e na identidade de um povo. Olhava aquilo e pensava (Maria Rita faz uma pausa, com a voz embargada): “Que meus filhos tenham de mim um pouco desse orgulho que eu estou sentindo da minha mãe”.
Então esse projeto mexeu muito sim, como cantora, mãe, ser humano e como cidadã consciente que eu sempre fui. E trouxe minha mãe e a avó dos meus filhos para dentro da minha casa. Tinha virado as costas para ela durante esses dez anos.
Tenho um senso de justiça muito reto, mas, de uns anos pra cá, não sei por que me acomodei um pouco. Acho que foi pelo entendimento de que o artista hoje vive uma realidade dentro de um mercado que te engessa, que se você fala é tido como babaca. As pessoas não têm mais paciência pra isso. Mas não deveria ficar tão preocupada, deveria fazer mais.

iG – Muito se discutiu no ano passado sobre a autorização prévia da publicação de biografias por parte dos biografados ou de seus familiares. Como você se posiciona diante dessa questão?
Maria Rita - Há situações e situações. No caso do Júlio Maria, jornalista que deve lançar uma biografia da minha mãe a qualquer momento, eu conheço seu trabalho. Sei quem ele é e sei de sua ética. Para mim, foi fácil aprovar a autorizar a pesquisa. Tanto que, quando me mandou a prova do livro, eu não li. Porque não sou melhor do que ninguém. Não posso dizer para um artista se o que ele está fazendo é certo ou errado. A não ser que eu seja paga para isso (risos). Mas ele insistiu, então concordei em ler.
Esse é um ponto. Agora, se chega uma pessoa que não sei quem é e escreve um livro como este que já existe (“Furacão Elis”, de Regina Echeverria)… Eu sento com as pessoas que deram depoimentos e 100% delas disseram que têm ódio dessa mulher porque ela torceu tudo o que escreveu. Uma pessoa não pode se achar no direito de contar coisas da intimidade da minha vida e das quais eu tenho total direito constitucional de preservar, inclusive. Amanhã vem um louco e conta uma coisa qualquer a respeito da minha vida e meu filho não tem como entender. Eu tenho o direito de não contar algumas coisas para o meu filho.
Li coisas sobre a minha mãe aos 12 anos de idade que me piraram a cabeça. E isso não é justo, porque ela não estava aqui para se defender nem para me explicar. Não quero dizer que o biógrafo não deva exercer sua profissão. Muito pelo contrário. E também não acho também que a família deva editar a vida de um artista. Estou falando exclusivamente de artistas, porque acho que um artista não é a mesma coisa que um presidente da república, que deve satisfações à sociedade. Eu não devo satisfação da minha vida a ninguém.
Li um argumento que dizia que o herdeiro de um biografado não pode privar um país de seu legado cultural. OK, então falemos sobre a carreira dessa pessoa. Por que fuxicar a vida do ser humano? Se há algo que aquela pessoa não queira que seja passada para frente, e ela tem direito a isso, acho que a família também tem direito de saber o que está sendo escrito sim. Parece fofoca disfarçada de intelectualismo. E eu adoro ler biografias, mas eu não compro biografia não autorizada.
Outra coisa que me deixou desnorteada quando li: “Mas o que há de tão grave que deva ser escondido?”. E eu pergunto: mas por que o que se esconde tem sempre de ser grave? Pode ser um assunto delicado para mim e que eu não queira dividir com ninguém. Mas repito: quanto mais livros forem escritos sobre corrupção, mentiras, lavagens de dinheiro e CPIs, melhor e mais importante vai ser para o país e o amadurecimento da democracia. É uma outra discussão.
Mas não venha me dizer que o que eu faço dentro da minha casa é importante para alguém. Disso você não vai me convencer. O que o Caetano Veloso faz ou deixa de fazer é assunto dele, não tenho nada a ver com isso. Diga-me, por favor, sobre as músicas, sobre seu trabalho, sua obra e o que ela significa. Contextualize. Acho isso mais interessante.

CAB | Crítica: Uma Maria Rita com mais tarimba e jazz.

Em ‘Coração a batucar’, a cantora está de volta ao repertório, a alguns dos compositores e ao espírito geral de ‘Samba meu’

O Globo / SILVIO ESSINGER

RIO — Mais uma vez, aqui estou, não vou negar. A conexão de “Coração a batucar” com “Samba meu” é assumida logo nos primeiros versos do disco, na música “Meu samba, sim, senhor”. Maria Rita está de volta ao repertório, a alguns dos compositores (Arlindo Cruz, Serginho Meriti) e ao espírito geral daquele trabalho que a lançou nos braços do povo. Sua voz ilumina os sambas (de fina seleção) e, por vezes, se solta com gosto. Experiente e versátil, a cantora não tem lá muitas concorrentes.

 
O que impede o disco de ser um “Samba meu 2” é o tratamento jazzístico, mais para Joyce (autora, por sinal, de “No mistério do samba”) que para Alcione, dados os seus arranjos. Soa estranho, de cara, o piano de “Saco cheio”, partido alto imortalizado por Almir Guineto. Mas rapidamente vem a impressão de que “Coração a batucar” é um daqueles bons, embora meio sonoramente antiquados LPs da MPB dos anos 1970.
 
Cotação: Bom

CAB | “Era muito chato quando se emocionavam ao me ver”, diz Maria Rita

Fonte: UOLAssista aqui

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Sete anos se passaram desde que Maria Rita lançou “Samba Meu”, seu primeiro álbum dedicado ao gênero que estampa no título. Agora, a filha de Elis Regina retorna ao estilo no disco “Coração a Batucar”, que chega às lojas no dia 8 de abril. E, dessa vez, a artista de 36 anos se diz mais livre e com mais intimidade para poder até brincar com a voz.

Pela primeira vez, Maria Rita assina sozinha a produção do disco. “Insegurança, claro, bateu em alguns momentos. Mas na hora do martelo final não fiquei insegura, mas muito serena e certa das escolhas que tinha feito”, disse ela em entrevista ao UOL.

Com 12 anos de carreira e ganhadora de seis prêmios Grammy Latino, Maria Rita disse que está mais madura para lidar com a timidez no palco, com jornalistas, fotógrafos e público. “Peso mesmo foi há 20 anos, quando era adolescente, e tinha aquela coisa de achar tudo um saco. Para mim, era muito chato quando as pessoas se emocionavam ao me ver. Aquilo era um peso para mim, essa sombra de ser parecida com a Elis fisicamente. Achava insuportável”.

Cantora e produtora
Depois de CDs e DVDs oriundos de gravações ao vivo, Maria Rita quis voltar a fazer um disco “do zero”, segundo ela, com direito a pesquisa de repertório, conceito e sonoridade. “O ‘Coração a Batucar’ vem mais livre e com a intimidade de sambistas. Faço com honra. Tenho uma relação íntima, fortíssima e instintiva com o samba desde a infância. O samba é sempre muito presente na minha vida”.

A ideia ressurgiu em 2013, durante os preparativos para o Rock in Rio. Para o festival, Maria Rita preparou um repertório com sambas de Gonzaguinha que cantou no Palco Sunset. “Era um sonho para qualquer artista tocar ali. Foi arrebatadora a confirmação da saudade e necessidade minha de continuar [com o samba]. A certeza veio quase que atropelando”.

O disco reúne entre os compositoresRodrigo MaranhãoNoca da Portela,Xande de PilaresArlindo Cruz e Joyce Moreno. São 12 faixas que trazem o espírito de roda de samba em terreiro. E, para isso, ela assumiu os riscos de gravar em estúdio como numa roda de samba. “Essa coisa de terreiro em círculo é uma coisa minha. Gosto de gravar ao vivo, buscando o humano e a emoção de cada um dos músicos interagindo. Cada um conseguiu olhar no olho do outro”.

As gravações começaram no dia 19 de novembro do ano passado e antes do Natal já haviam terminado. “Foi bem rápido, me assustei bastante, no bom sentido. Tinha a sensação de que havia esquecido alguma coisa. E essa sensação se confirmou por um segundo no final, já na mixagem, quando resolvi chamar o Arlindo para fazer a última música do disco ['É Corpo, É Alma, É Religião']“.

O repertório também tem o incremento do sambista Noca da Portela, que deu a Maria Rita uma música que mantinha inédita há 30 anos. “Eu quase caí da mesa. Fiquei bastante emocionada. É um repertório que veio acontecendo livremente, intuitivamente. Não encomendei nada, mas chegaram músicas escritas pensando na minha história”.

À sombra de Elis Regina
Embora tenha convivido pouco com a mãe –Elis morreu quando Maria Rita tinha quatro anos de idade–, a cantora diz que durante a adolescência foi buscar entender a própria história. “Descobri uma mulher linda, inteligentérrima, apaixonada pela vida e pelos filhos, corajosa. Isso é muito inspirador”.

  • Divulgação

No começo da carreira, Maria Rita decidiu se afastar da imagem da mãe. “Eu virei as costas para ela. Eram insuportáveis as acusações de que eu a imitava. Levei até as últimas conseqüências”. Recentemente, a cantora revisitou o repertório de Elis em “Redescobrir” e foi naquele momento em que percebeu a falta da mãe.

Questionada sobre o que Elis pensaria hoje da filha ao ver o disco de samba, Maria Rita disse não ter dúvidas de que a mãe a apoiaria. “A gente teria tido uma amizade muito bacana e teríamos sido muito próximas. Tenho certeza de que teria o apoio dela em todas as decisões difíceis que tomei”. 

CAB | Uma artista do tamanho da grandeza dos fãs

C-FL

Fonte: O Tempo
Nem bem chegou às lojas e “Coração a Batucar” já foi ovacionado pela legião de fãs que Maria Rita conquistou desde que decidiu soltar a voz, no início dos anos 2000. Na página oficial da artista no Facebook, com mais de um milhão de seguidores, o clima é de festa. Afinal, poucas horas depois de disponibilizar o álbum no iTunes, ela foi alçada ao primeiro lugar com aquele empurrãozinho da cultura de likes e compartilhamentos.
 “Eu anunciei que o disco estaria disponível na loja virtual nos meus perfis na internet. Quando me dei conta, estava atrás da Shakira, em segundo lugar. Aí fiz uma brincadeirinha no meu instagram com a hashtag #tecuidashakira. E não é que hoje (ontem) de manhã, em menos de 12 horas, eu estava em primeiro lugar? Eu sempre me surpreendo com esse carinho, essa receptividade. Tenho muita gratidão por quem admira meu trabalho”, diz.

Energia. Maria Rita conta que faz uma espécie de exercício quando está no palco e, em diversos momentos, flerta com sua plateia para captar sensações de quem comprou o disco, memorizou as músicas, pagou o ingresso, correu para chegar pontualmente naquela apresentação.

“É engraçado que eu nem tinha planos de virar cantora e me lembro de uma conversa com o meu pai sobre a importância de se relacionar com o público. Ele falou de uma maneira tão bonita e poética que me marcou para sempre. Eu gosto da espontaneidade dessa relação. Por isso, faço essas observações durante os shows. Fico tomada por uma emoção genuína e espontânea, é uma conexão forte. Eu jogo as minhas músicas para o mundo e ele a absorve das mais diversas maneiras”, diz.

“Coração a Batucar” vai chegar às lojas, com um pequeno atraso causado pela fábrica, no dia 12 de abril. Em maio, a cantora já tem pelo menos dez espetáculos agendados. O ritmo será interrompido pela Copa do Mundo. “Esse é um ano bem atípico né? Estamos trabalhando com muita dedicação, porém com esses limites”, explica.

Para Maria Rita, é um desejo grande de que o máximo de cidades sejam contempladas. “No meu mundo ideal, eu me apresentaria em cada canto onde existam seguidores tão queridos”, diz. E Belo Horizonte tem um lugar cativo, de acordo com ela. “Na última vez que me apresentei na cidade, não conseguia cantar. A plateia cantou, me carregou no colo, fez um show mais completo do que o meu. É um encontro que dá sempre um gás e uma troca boa de energia”, completa.

CAB | O samba pedindo passagem

Fonte: O Tempo
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Além da afinação. Todas as escolhas de “Coração a Batucar” são da cantora, que, pela primeira vez, assina a produção de seu disco
LUDMILA AZEVEDO

Na faixa “No Mistério do Samba”, que Joyce Moreno compôs especialmente para que ela gravasse, Maria Rita canta numa cadência festiva: “Nasci pela graça de Deus/ Num país que tem samba/ E o samba/ É o grande presente que a vida me ofereceu”. No caso da artista, além da geografia, existe o DNA.

Tudo no fresquíssimo “Coração a Batucar” diz muito sobre a formação ímpar de Maria Rita (filha da cantora Elis Regina e do músico, arranjador e maestro César Camargo Mariano), mas são as escolhas dela que predominam nas 13 faixas, além da assinatura de qualidade que vem desde sua estreia em 2003.

“Não se trata de um projeto, não acordei e decidi gravar mais um disco dedicado ao samba (em 2007, lançou ‘Samba Meu’, que ganhou projeção internacional). O que aconteceu é que depois da última turnê (‘Redescobrir’, em homenagem à mãe) me bateu uma ausência, uma melancolia e uma saudade louca. Eu tenho uma relação íntima, genuína, espontânea e de longa data com o samba”, conta.

Então, o batuque encontrou a cantora em setembro de 2013, no palco do Rock in Rio, quando fez um tributo a Gonzaguinha, ao lado de Davi Morais (guitarra) e Alberto Continentino (baixo), que tocam também no novo álbum – Wallace Santos (bateria), Rannieri Oliveira (teclados), Marcelinho Moreira e André Siqueira (percussão) completam o time. “Foi mais do que uma oportunidade, foi uma necessidade que veio à tona”, revela. Simples assim.

Em novembro, Maria Rita entrou no estúdio para conceber o novo trabalho que reproduz o formato da roda de terreiro, com um frescor de parceiros que possuem formações que passam pelo jazz, MPB e, evidentemente, o samba. “A ousadia é importante para o meu trabalho. Eu entraria em pânico se me sentisse engessada. Por isso, é um disco feito com muito respeito, carinho e paixão por músicos com um extensa bagagem, e o Jotinha (o conceituado arranjador Jota Moraes, diretor musical do trabalho) se colocou muito à disposição das sugestões em todo o processo. Não deixamos a tradição de lado, mas buscamos esse frescor”, lembra.

Assinatura. A produção de “Coração a Batucar” é de Maria Rita, pela primeira vez. “Eu sempre assinei a coprodução dos meus discos. Embora eu tivesse uma boa relação, de confiança mesmo com a minha antiga gravadora (Warner), havia uma questão contratual que previa a figura do produtor. Só que eu sempre me envolvi bastante com a ordem das faixas, a mixagem, a masterização, a parte gráfica. Eu sou a responsável pela direção dos meus DVDs, sou centralizadora nesse sentido, e agora chegou o momento (de produzir), além do mais, a minha intimidade com o samba permitiu essa segurança”, afirma.

O exercício de imaginar a artista que nem pensava em ser cantora acompanhando o trabalho do pai é inevitável. Por mais que seja de uma geração mais “faça você mesmo”, algo de “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais” está na unidade incrível de sambas compostos por nomes tão distintos.

“Olha, se você estivesse aqui veria que fiquei toda arrepiada. A associação ao meu pai que você faz é muito feliz. Fui criada por ele, toda a minha integridade artística vem das lições que ele me deu. Acompanhei muito a rotina dos músicos, e ele sempre fez questão de mostrar que é um trabalho árduo nosso ofício e ganha pão. Eu sei que a minha mãe é muito viva na memória das pessoas, mas não tivemos tanto convívio”, diz.

A Elis caberia, quem sabe, a delicada menção feita em “Mainha me Ensinou”, de Arlindo Cruz e Xande de Pilares. Mas a artista admite que suas escolhas habitam territórios bastante subjetivos. “Eu fui ouvindo as músicas, me deixando levar. No meu dia a dia sou bem virginiana, mas quando bate na música, meu ascendente peixes, intuitivo e sonhador, é quem decide porque é preciso mexer comigo, tocar na minha história”, explica.

Maria Rita foi presenteada com um conjunto substancial de composições. “Eu me senti feliz e muito honrada com as canções. O Serginho Meriti veio com ‘Abre o Peito e Chora’, o Noca da Portela me ofereceu ‘Vai, Meu Samba’, feita por ele há 30 anos e ainda inédita, teve a Joyce Moreno que fez músicas para a minha mãe gravar, o Arlindo Cruz e o Fred Camacho. Novos artistas me procuraram porque queriam a minha voz em suas obras. É algo que fica eternizado. Não quero parecer cafona, porém são conquistas sem tamanho”, avalia.

Alternando climas, Maria Rita fez questão de deixar nesse registro algumas imperfeições inerentes ao jeito “quase ao vivo”. A espontaneidade guia “Coração a Batucar” e não é um contra-senso uma das vozes mais afinadas do Brasil querer justamente vacilar um pouquinho aqui, outro acolá. Essa é a chance apenas de entrar na roda e cantar junto.

Para ouvir

“Coração a Batucar” (Universal Music) está disponível na iTunes Store (http://itunes.apple.com/br/store) por US$ 9,99.

O disco também tem pré-venda na internet por R$ 23,90

 

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