Elis Vive: Fãs se mobilizam na Internet em homenagens

20 20UTC janeiro 20UTC 2012 4 comentários

Imagem: Alberto Dutra

Ontem, 19 de janeiro de 2012, os fãs da cantora Elis Regina se juntaram para uma série de homenagens: Fotos com o material da artista, poemas, textos, frases, trechos, avatar especial nas redes sociais, capas, vídeos, áudios e muito mais – até o site do Corinthians fez homenagem. O nome da cantora também ficou no topo dos assuntos mais comentados do twitter (TTs/Trends), e na televisão, este também foi o assunto principal: Elis. Nos jornais, nos sites, matérias especiais, e muito mais.

A foto abaixo é do “Grupo Cultural Eternamente Elis Regina”, no facebook – os fãs criaram até um evento na rede social, chamado “Elis Vive“. No twitter, Maria Rita comentou emocionada: “Pois é… Os 30 anos chegaram. Já são 30? Mas celebremos. Sempre. Com sorriso no rosto e Luz no coração. Ela merece. Obrigada por tantas mensagens carinhosas, cuidadosas. Que venham todas as homenagens. Obrigada mesmo.”

O site do Estadão fez uma página especial, com depoimentos de diversos artistas, cronologia, vídeos, etc. Um depoimento imperdível da Elis começou a circular na Internet, e foi ouvido mais de 500 vezes. Artistas como Aretha Marcos também comentaram sobre Elis nas redes sociais: “Esse é o meu clube hoje e sempre. Fico torta toda vez que entro em contato com ela na fala, no canto… na alma. ELIS VIVE!”. Zélia Duncan também se pronunciou via twitter: “Ah, Elis, cantora sensacional…quanta vida no seu canto!”, e postou durante todo o dia trechos de canções de Elis.

A Trama, disponibilizou o disco “Falso Brilhante” em seu site. Ouça aqui.

PS: Obrigado pela gentileza das fotos, não coube todo mundo, mas quem quiser ver todas as homenagens, é só clicar aqui.

Elis: ‘Quero que Maria Rita ria muito, quero muita coisa legal para ela’

20 20UTC janeiro 20UTC 2012 1 comentário

Confira no Arquivo N uma homenagem aos 30 anos de morte da cantora.

(Fonte: Globo News)

ASSISTA VÍDEOS EXCLUSIVOS DA ELIS >

Elis Regina foi um dos grandes nomes da MPB e consagrou muitos sucessos antes de morrer, há 30 nos, aos 36 anos idade. Em um programa gravado em 2002, o Arquivo N homenageou a cantora com uma compilação de imagens de apresentações e uma conversa com os filhos João Marcelo e Maria Rita, que ainda não seguia os passos da mãe, mas que já sentia o peso de ser filha de Elis: “Mas se dizem que sou parecida com ela, que bom para mim!”.

Elis se dizia coruja: “Às vezes acho que sou um animal em extinção, fora de moda, porque falo muito dos meus filhos”. E se emociona ao dizer: “Quero que Maria Rita ria muito, quero muita coisa legal para ela”.

Outra emoção da vida de Elis era a música: “Cantar é um ato absolutamente solitário, e eu adoro!”, dizia. Veja no programa verdadeiras pérolas dos anos 1970, imagens em preto e branco que já fazem parte da história.

Elis Regina, por Maria Rita.

19 19UTC janeiro 19UTC 2012 2 comentários

“Me emocionei ao ler os depoimentos de fãs. Impressionante como ela ainda vive em todos nós. Que assim seja, sempre! Ela merece – e, nós, MAIS DO QUE NUNCA, precisamos (dela).” via @MRoficial, 2012.

“Tem gente que chega com uma maldade danada pra falar desse assunto. Alto lá e mais respeito. O que eu já tive que ouvir por causa disso! (as pessoas perguntam) ‘Quem ela pensa que ela é?’ Quem pensa que sou o quê? Não, eu não penso que sou, eu sou. Se estiver duvidando, pegue aí o meu RG!” A Dona do Jogo, Rolling Stone, 2011.

“Tudo que eu puder fazer para manter este nome, esta mulher incrível na memória das pessoas, eu vou fazer!”, Mais Você (TV Globo), 2011.

“A Elis é de todo mundo, mas a mãe é minha!” Coletiva Viva Elis (Nivea), 2011.

“Nunca incomodou, não tenho problema em ser filha da Elis Regina. O que me incomodava é a pressão que colocavam para eu continuar a fazer um trabalho dela. Sou no máximo a herdeira, está no RG. Só isso. Mas me colocarem como substituta. Aí dizem ‘Ah, ela não gosta de ser comparada à mãe’. E depois que eu tive filho, vejo o meu filho, vejo o que ele tem de mim, o que tem do pai dele, vejo o que ele tem dele mesmo. E principalmente eu compreendo a saudade que as pessoas têm da Elis. Eu compreendo de verdade. Eu sinto esta saudade também, de outra forma, mas eu sinto e compreendo o que era a Elis Regina, a cantora, a ativista política, uma mulher incrível.” Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda, Estadão, 2011.

“Todo mundo cantando e eu ali, cantando junto! Era aquela confusão, uma alegria danada. Aí o papai pegou o violão… Fazia anos que eu não o via tocar violão, a última vez eu tinha uns 5, 6 anos. Aí ele falou: “Canta essa”. E começamos. Eu estava lá, cantando muito, de olhos fechados. Quando abri os olhos…   Era um funga pra cá, assoa o nariz pra lá, toma água com açúcar…  As pessoas ficavam chorando, chorando… Que coisa! Aos 17 anos eu não entendia Saí da sala gritando: “Ela morreu, não volta mais”. E bati a porta do quarto! Para mim era isso: as pessoas choravam porque se lembravam da minha mãe, que saco!” Conversa de Botequim, Living Alone, 2011.

“A agressividade das pessoas ao falar disso me chateia. Antes eu ouvia calada, mas hoje, com 10 anos de carreira, respondo à altura. Como assim vai me chamar de “imitadora oficial da Elis Regina”? Não imito ninguém, mas, se fosse o caso, só eu poderia imitá-la.” O Globo, 2011.

“Como é que eu vou encarar como peso ser filha de uma mulher que esteve lá na frente do tempo dela, que era uma ótima mãe, uma ótima cozinheira, uma excelente profissional, que era extremamente inteligente, envolvida politicamente, curiosa com a vida, não tem porque ser um peso. Esse termo é só para a imprensa ou para esse povo mal-humorado! Se ela tinha seus defeitos? Graças a Deus, né? Senão a gente ia achar estranho… Quem é muito legal demais a gente desconfia (gargalhadas!). É muito mais herança e orgulho do que peso.” Revista Uma, 2008.

“Tem um ser humano que escreve uma matéria e não assina a p**** da matéria. E isso e uma falta de respeito com o leitor! A imprensa são pessoas. Então, tem alguém responsável pelas merdas que saem na imprensa, sim! A palavra tem um poder muito forte, especialmente a imprensa. ‘Eu li’ é quase como se tivesse visto. Com esse poder, uma coisa é você falar que caiu uma árvore ali na (avenida) 9 de julho e provocou um transito terrível. Outra é falar da vida de alguém. Brincar com a índole e o caráter de uma pessoa. Levantar minha mãe pra me derrubar? (enjoada) Que feio! Família é coisa muito sagrada. É muito feio quando se metem nisso”. As Aparências Enganam, Revista Bizz, 2005.

“Tinha 4 anos, mas lembro dela com carinho. Muita coisa, a família conta. Ela cozinhava e lavava a louça em casa, não era um mito intocável. Sua diversão favorita era receber os amigos e cozinhar. Era uma excelente cozinheir… Lembro de uma história engraçada, em que um amigo foi elogiar o peixe que ela preparou, dizendo que era o melhor que tinha comido na vida. Ela respondeu: “É porque você ainda não me viu cantando!” Playboy, 2003.

“Uma vez, um moleque americano chegou dizendo que fazia 19 anos que minha mãe tinha falecido e 19 anos que ele tinha nascido. Aí, quando eu confirmei que era filha dela mesmo, ele ajoelhou e chorou, dizendo: ‘Sua mãe mudou minha vida, eu tô estudando música por causa dela’. Parece que ele teve uma babá brasileira, ou algo assim…” Revista MTV, 2002.

“ Ouço por saudade, porque eu preciso. Mas tem dias que eu prefiro não ouvir. Perdi a minha mãe para sempre. É para sempre a perda. É para sempre a dor. É para sempre a saudade. É para sempre o buraco, a falta. Ainda que eu tenha tido uma figura materna em casa, chegou um momento em que aquilo não me satisfazia mais. E vi que essa insatisfação ía durar a minha vida toda. É um buraco que não tem como ser preenchido.” Manter o legado é uma obrigação, Revista Época, 2002.

“Estou preparada. Houve os cinco anos sem Elis, os dez, os 15, os 20 e assim será. Minha mãe não morreu, ela continua!” Um Elo Que Não Se Rompe, Revista Época, 2002.

60 dias para o Viva Elis: Um elo que não se rompe

17 17UTC janeiro 17UTC 2012 Deixe um comentário

O post de hoje é especial: Uma outra matéria sobre a saudade da Elis, na Época. Lembramos a Maria Rita dessa matéria recentemente no twitter, confira:

UM ELO QUE NÃO SE ROMPE /Revista Época /Acervo Portal Maria Rita

“Estou preparada. Houve os cinco anos sem Elis, os dez, os 15, os 20 e assim será. Minha mãe não morreu, ela continua”, diz Maria Rita Camargo Mariano, enquanto gira as três argolas da aliança Cartier no dedo anular da mão direita, num gesto ansioso. Em uma delas, está inscrito o próprio nome — Maria Rita. Nas outras duas, o nome de seus dois irmãos — João Marcello e Pedro. O anel, jóia inseparável da cantora Elis Regina, é a perfeita tradução de um vínculo sedimentado na ausência: Elis faleceu na manhã de 19 de janeiro de 1982, no auge da fama, vítima de overdose. Foi-se a cantora, aos 36 anos, mas logo nasceria o mito, pronto para ser eternizado. “A última imagem que guardo comigo é a de vê-la deitada no caixão, cercada de desconhecidos”, rememora Maria Rita, que na ocasião estava com 4 anos. Num velório marcado pela comoção nacional, a garotinha passou de colo em colo durante horas, sem nada entender. “Eu só queria que aquelas pessoas deixassem minha mãe dormir”, revela.

Estudiosos do comportamento humano não se arriscam a definir, com precisão, a idade-limite para uma criança reter na memória imagens de quem a gerou. São processos que dependem de fatores pessoais, circunstâncias familiares, herança cultural. Maria Rita lembra-se da mãe como o epicentro da vida num chalé cercado de árvores, na Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo. Recorda-se de Elis depilando a perna. Soube que a mãe costumava fazer ela mesma as unhas, hábito que Maria Rita também tem. “Eu me apeguei a pequenas lembranças, mas eram insuficientes”, diz. “Ao reconstruir minha mãe, descobri que ela era uma mulher organizada, vaidosa e briguenta.”

Aos 24 anos, Maria Rita administra com os irmãos o legado materno. É um trabalho sem fim: lidam com direitos de imagem, com utilização de fonogramas, com roteiros para filmes etc. O pianista César Camargo Mariano, seu pai, casou-se com Flávia — a quem Maria Rita chegou a chamar de mãe. Preocupado em proteger a filha das inevitáveis comparações, levou-a para morar nos Estados Unidos, por oito anos. Só que o mito embarcou junto: Maria Rita cresceu tomando gosto pelo canto e, de volta ao Brasil, está decidida a seguir os passos de Elis. O estilo é diferente. A voz, idem. Um certo cacoete, contudo, é idêntico: como a mãe, fecha os olhos quando canta. “A falta que sinto dela é um buraco que não tem como ser preenchido”, lamenta.

Leia mais…

Show: Primeiro “Viva Elis” deve acontecer em São Paulo

7 07UTC janeiro 07UTC 2012 2 comentários

(Fonte: Folha SP)

Já tem data a estreia de Maria Rita cantando músicas de sua mãe, Elis Regina (1945-1982), no projeto “Viva Elis”. A informação é da coluna de “Mônica Bergamo”, publicada na Folha deste sábado (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

O show gratuito será no dia 17 de março, aniversário de Elis, no Auditório Ibirapuera. O palco estará virado para o parque. Tem facebook? Confirme sua presença >

Recentemente no twitter, Maria Rita falou “Me emocionei ao ler os depoimentos de fãs. Impressionante como ela ainda vive em todos nós. Que assim seja, sempre! Ela merece – e, nós, MAIS DO QUE NUNCA, precisamos (dela).”

OPERAÇÃO ELIS

(Fonte: Estadão)

Nem uma estratégia orquestrada em detalhes poderia ter seus nós tão bem amarrados. De repente, muita gente pensou em Elis Regina, e começou a agir.


Em conversas com João Marcello Bôscoli, produtor musical e um dos filhos da cantora, a gravadora Universal já tem acertado para 2012 o relançamento dos 21 álbuns que Elis gravou pela companhia. Eles sairão em CDs individuais remasterizados e em duas caixas de luxo, com mais um CD de raridades cada.

“Já estamos bolando uma série de coisas em conjunto com o João Marcello: site exclusivo com toda a discografia, relançamento dos álbuns em grande estilo e tudo mais que algo dessa magnitude mereça”, diz José Eboli, presidente da Universal.

Grande, mas só o começo. Uma ‘operação Elis’, com um documentário de seis horas de duração, exposição, biografia e shows da filha de Elis, Maria Rita, por cinco cidades do País, compõem um projeto maior.  Uma captação aprovada pelo Ministério da Cultura permite a João Marcello captar até R$ 5,8 milhões com patrocinadores para as investidas, programadas para o segundo semestre de 2012. “Assim que fiz 40 anos resolvi que deveria realizar algo maior pela minha mãe. E no ano que vem serão completados 30 anos da morte de Elis.”

Ambicioso, mas não esgota o assunto. O fotógrafo Paulo Kawall, ‘apadrinhado’ por Elis aos 21 anos e que se tornou uma espécie de retratista oficial da cantora, anda por São Paulo com dois livros pesados em busca de patrocínio. São fotos exclusivas que Paulo tirou da artista, muitas vezes a pedido da própria, entre 1976 e 1982, em formatos gigantes para os padrões de livros assim – 30 cms por 40 cms (leia na página ao lado). Em busca de patrocínio, Kawall não quer ceder às exigências da Lei Rouanet, pelas quais ele teria de mudar o formato e a feitura do livro para barateá-lo.

O mergulho mais profundo de Redescobrindo Elis está nas mãos do paulista Allen Guimarães, 44 anos. Em 2005, o então estudante de cinema em Uberlândia passou a seguir os rastros de quem quer que tivesse algo interessante a dizer sobre Elis Regina. Entrevistou quase 50 pessoas, dentre elas Gal Costa, Gilberto Gil, Marília Pera, André Midani, Milton Nascimento, Nelson Motta e Jair Rodrigues. Uma cena retirada daqui, uma fala a menos ali, e restaram ainda seis horas de imagens, nas quais ele se recusou a mexer. “Chegou uma hora em que falei: ‘Vou fazer do jeito que eu quero’.”

70 dias para Viva Elis: “Manter o legado dela (Elis) é uma obrigação”

7 07UTC janeiro 07UTC 2012 Deixe um comentário

Faltando agora poucos meses para o especial VIVA ELIS, vamos relembrar algumas matérias sobre Elis e Maria Rita. Hoje, é uma matéria da Revista Época, seis meses depois da Maria Rita ter voltado ao Brasil. Confiram:

“MANTER O LEGADO DELA É UMA OBRIGAÇÃO”

Uma das lembranças mais remotas que Maria Rita Camargo Mariano, 24 anos, tem da mãe é a imagem dela deitada no caixão, rodeada de gente desconhecida. Recuperou detalhes dessa cena investigando recortes de jornal de janeiro de 1982, quando a mãe, Elis Regina, a maior cantora brasileira de todos os tempos, morreu de overdose, aos 36 anos. “No velório eu passava de colo em colo e só queria que a deixassem dormir”, conta. Já faz duas décadas que Elis está ausente, mas a força do mito faz com que continue muito viva no dia-a-dia de Maria Rita e seus dois irmãos, João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano. Administram o legado da mãe quase como um trabalho não remunerado. “Tenho de analisar inúmeros pedidos de uso de imagem, utilização de fonograma, roteiros. Leio tudo que cai na minha mão e guardo num arquivo que fica na casa de meu pai”, diz Maria Rita. “Manter o legado dela é uma obrigação. Não chego a gostar disso. Tem dia que acordo extremamente saudosa, melancólica, e tenho de fazer mesmo assim.” A cada aniversário de morte, a ferida da perda é remexida por gente que procura a família para fazer um especial sobre Elis, para regravar um disco. “Teve os 5 anos sem Elis, os 10 anos, os 15 anos e vai ser sempre assim. Ela não morreu e ponto final, ela continua.”

Não chega a ser um ônus. Maria Rita reconhece o lado bom de ter uma mãe mito, de alguma maneira sempre presente. “Sou muito grata ao fato de ela ter sido famosa. Eu tenho discos, vídeos, as pessoas que me falam dela sem travas. Nâo têm as travas que todo mundo tem de falar de quem se foi. Os fãs dela que me abordam na rua para contar alguma coisa, que viram ela chorar em um show. Tenho esses registros culturais que são para a eternidade.” Maria Rita voltou ao Brasil há seis meses – depois de morar nos Estados Unidos por oito anos – para seguir os passos de Elis. “Eu vou cantar. Todo mundo já sabia, menos eu. E olha que eu tentei fugir disso”, diz rindo. A reclusão nos Estados Unidos, ao lado do pai e da madrasta, Flávia Mariano, foi positiva. “Lá eu cantei sem o ‘fantasma’ da mamãe.” Cantou informalmente. Agora estuda canções e começa a planejar a carreira. A partir da próxima segunda-feira, fará participações especiais no show de um amigo no bar Supremo, em São Paulo, e no SESC Pompéia, interpretando cinco canções. Sabe que as comparações com o mito serão inevitáveis. A voz e o timbre são um pouco diferentes, mas a mãe está presente nos olhos, na maneira de falar, no rosto espremido pelo sorriso aberto, no jeito de fechar os olhos quando canta. Maria Rita se orgulha disso. “Se alguém tem de cantar parecido com ela, que seja eu.”

As lembranças de infância que guarda da mãe são poucas e turvas. Cenas vividas com ela misturam-se na memória de Maria Rita a outras vividas com a tia. “Acabei me apegando a quaisquer memórias e atribuí à minha mãe. Lembro dela depilando a perna e uma amiga dela me dando banho na banheira, lembro muito bem da casa em que morávamos na Serra da Cantareira, da textura da cortina, da posição da mesa, das flores. É um apego a qualquer lembrança que seja dela, que me remeta a ela.” Como um anel cartier com o nome de cada filho gravado nas três argolas, que Maria Rita manipula exatamente como Elis. “Ouço as músicas dela por saudade, por necessidade. São o único referencial que tenho dela.”

Até a adolescência, bastava a Maria Rita a presença da mulher do pai, Flávia, a quem chamava de mãe. “Ela é uma ‘boníssi-madrasta’, foi maravilhosa, me deu senso de disciplina, me educou. Mas um dia isso não bastou. Eu tenho uma mãe que já me restou tão pouco dela que eu gostaria de preservá-la.” Essa mudança aconteceu em seus 14 para os 15 anos, quando Maria Rita menstruou. “Eu sabia como tinha sido com a Flávia, mas queria saber como tinha sido para a minha mãe. O que ela teria para me dizer da vida. Fui atrás de revistas, de entrevistas. De uma certa maneira, era ela mesma me contando.” Foi de caderninho e caneta na mão procurar reportagens e depois bater as informações com pessoas que haviam conhecido Elis. Descobriu que, como ela, a mãe era organizada, briguenta, vaidosa e fazia as próprias unhas. “Inevitavelmente, Bateu uma hora que eu falei: ‘por que eu penso quase como um comunista, como uma maluca?’, ‘por que a minha mão é desse jeito, muito parecida com a dela?’ Veio uma necessidade de conhecer a minha história, de conhecer a mim mesma.”

Maria Rita não gosta muito de falar sobre a causa da morte da mãe. “Não sabia lidar com isso. Me perguntava ‘ minha mãe era uma criminosa (por ter usado drogas)’? Quem sou eu para julgá-la? Ela não está aqui para me explicar. Há quem diga que foi mera curiosidade. Afinal ela gostava de yoga, ballet, alongamento, arroz integral e comida macrobiótica. Prefiro acreditar que ela usou drogas em uma parte da vida dela. Por ser uma coisa muito íntima dela – nem meu pai nem o namorado dela na época, o Samuel (MacDowell de Figueiredo) sabem o que aconteceu de verdade – fico mordida quando exploram esse assunto.”

Às vezes, Maria Rita parece esquecer que é filha do mito e fala de Elis quase como fã. “Adoro ‘Essa mulher’ (disco de 1979), que é um retrato dela, ‘Elis e Tom’ (1974). A interpretação e o repertório dela são fora do comum. É uma delicadeza, é tudo tão bonito. O Bêbado e a Equilibrista é um credo dela. a maior qualidade da minha mãe era cantar com honestidade. Ela só cantava músicas nas quais ela acreditava e que, por isso, mostram um pouco como ela era.”, divaga. “Nâo ouço as músicas dela para estudar, como eu ouço outros intérpretes, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Chico Buarque. Ouço por saudade, porque eu preciso. Mas tem dias que eu prefiro não ouvir. Perdi a minha mãe para sempre. É para sempre a perda. É para sempre a dor. É para sempre a saudade. É para sempre o buraco, a falta. Ainda que eu tenha tido uma figura materna em casa, chegou um momento em que aquilo não me satisfazia mais. E vi que essa insatisfação ía durar a minha vida toda. É um buraco que não tem como ser preenchido.”

Mais Você: Cozinhando com Maria Rita!

6 06UTC janeiro 06UTC 2012 1 comentário

Áudios: Arquivos dos Palcos MPB com Maria Rita

5 05UTC janeiro 05UTC 2012 Deixe um comentário

2007 – SAMBA MEU

2011 – Elo

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Retrospectiva 2011 – Maria Rita Camargo Mariano

31 31UTC dezembro 31UTC 2011 Deixe um comentário

Queridos!

Fizemos esta retrospectiva de alguns momentos da carreira e vida da Maria Rita no ano de 2011. Um ano de muita luz, realizações, amizade e muito importante não só para a nossa cantora, mas para todos nós, fãs (ou como ela gosta de nos chamar, bacanudos). Que ano que vem (que tá logo ali!) seja de muito brilho, muita saude, muita fez, respeito e paz para todos nós! Um abraço de toda equipe Portal Maria Rita. PS: Maria Rita também fez um vídeo para desejar FELIZ 2012. Clique aqui para assistir!

Recado da Associação Síndrome do Amor:

Bacanudos, como fundadora da Associação Síndrome Do Amor me sinto no dever de agradecê-los de forma especial. Talvez nem tenham muita noção, mas em função dos retweets, dos compartilhamento, das energias, do amor de vocês chegamos nesse ano a 335 famílias, 415 municípios, 43 países e quase 15.000 visitas no nosso site, owww.sindromedoamor.com.br. Nossa madrinha nos traz juntamente com seu amor, um exército de fãs que proporcionam a divulgação do nosso trabalho. Como mãe de uma criança especial, como quem sonhou com essa realidade de apoio que assistimos hoje e pelas dezenas de amorosos e pais, agradeço emocionada e muito feliz. Que em 2012 possamos continuar juntos, sempre! bjs a todos, Marília

Imperdível: Maria Rita falou sobre o projeto “Viva Elis” no Altas Horas.

26 26UTC dezembro 26UTC 2011 Deixe um comentário

Maria Rita está lançando o seu quarto disco de estúdio, intitulado “Elo”. Neste sábado, dia 24 de dezembro, a cantora esteve no Altas Horas e falou sobre o projeto de realizar cinco shows só com músicas de sua mãe, Elis Regina.

“Ano que vem comemora-se 30 anos que ela se foi e o meu irmão João Marcelo está organizando uma série de eventos. A gente vai fazer só cinco shows, que não serão gravados, não serão captados para DVD, mas que serão gratuitos, porque a intenção é garantir que esse nome não desapareça. Eu ainda não comecei a trabalhar nisso, mas estou em uma ansiedade louca para mergulhar na obra dela”, revelou.

A cantora ainda comentou como é ter uma música como tema de novela, como aconteceu com “Coração em Desalinho”, em Insensato Coração. “Eu não tenho pé atrás nenhum com ter música como tema de novela. Acho que é uma forma que a gente tem de chegar a um público”.

Além de falar sobre o seu novo trabalho e seu próximo projeto, Maria Rita ainda animou a plateia do programa Altas Horas com as músicas “Coração em Desalinho”, “Nem um dia” e “Coração a batucar”.

http://altashoras.globo.com/Altashoras/foto/0,,61838537,00.jpg

Fonte: Globo.com/AltasHoras

No terra, Maria Rita também comentou recentemente sobre o projeto:

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