Aprendiz de Jornalista

Arquivo: Wesley M./Portal Maria Rita. Transcrito por: Wesley M. Santos.

Segue abaixo o SCAN de uma matéria da revista Capricho (Março), feita por Maria Rita aos 16 anos. Para ler a matéria completa online, basta clicar nas imagens abaixo.

Curiosidade: Vídeo da Maria Rita na Joyce Pascowitch , onde a cantora fala do estágio – assista aqui

APRENDIZ DE JORNALISTA

Já pensou em como é fazer um estágio na Capricho? Para ajudar seu esforço e imaginação, a Rita Camargo Mariano, 16 anos, conta como foi passar sete meses com a gente:

Antes de me apresentar, vou logo te dizendo que começar uma matéria não é uma tarefa das mais fáceis. Se bem que, como todo bom brasileiro, sempre acabo dando um jeitinho… Meu nome é Maria Rita, mas, a pedidos meus, todos me chamam de Rita (É que sempre que gritam “Maria Rita”, sei que aí vem bronca.). Mas isso não vem ao caso. O que vem realmente é o porquê desse texto. A história é que a Mônica foi amigona da minha mãe. Quando meu irmão, o João Marcello, começou a escrever aqui, comentou que eu queria ser jornalista. Foi aí que apareceu a idéia deste estágio. Passei sete meses na CAPRICHO aprendendo um monte de coisas. E isso foi o máximo. Então, por que não contar tudo, te colocar “na roda” de um jeito legal? Eu só espero que você goste, tanto quanto eu estou gostando de escrever.

Emoção à flor da pele

Vou começar contando algumas das muitas aventuras que passei fazendo as entrevistas da seção “E Eles…”. Na verdade, foi a primeira coisa importante que fiz, e tem cada história maluca, menina!

Na minha primeira vez (aquele que a gente nunca esquece) as entrevistas foram cara a cara, num colégio aqui em São Paulo. Fiquei hipernervosa! Só para ter uma idéia, na noite anterior não consegui dormir, sem contar a dor no estômago fenomenal que tive na hora das entrevistas! Mas logo no “terceiro menino”, tudo já estava bem.

Atenção, atenção: o ritual a seguir é valido para todos os tipos de entrevistas e seções, para ambos os sexos: chego, digo que sou da CAPRICHO e pergunto se ele está afim de responder. Se não, muito obrigada; se sim, ótimo! O mais legal é que tudo sempre acaba numa troca de conselhos. Depois de muitos desses bate-papos, passei a achar que alguns garotos não batem bem: tem uns que não falam nada! Aí, não me resta outra alternativa senão sair perguntando pro menino: “Mas não poderia ser assim? E assado? Mas por quê? Quando, como, onde?…” E por aí vai. É… tem vezes que, para chegar onde você quer, tem que dar uma supervolta…

Meninos, ai, ai!

Falar de “E eles…” me lembra meninos, óbvio; e, imediatamente faço uma ponte até o “Colírio” Reinaldo Holzchuh do mês de outubro. Se você não o achou muito gato, me desculpe. Eu caí de amores por esse rapaz muito sossegado, muito bonitinho. O caso é que quase morri de raiva quando dei de cara com ele aqui na redação: como é que existe um moço tão bonito na Terra e ninguém me avisa? Se eu soubesse antes, teria improvisado um jeito de nascer mais alta ou mais ou menos parecida com a Cindy Crawford.

À beira de um ataque de nervos

Logo da segunda vez que fui fazer o “E Eles…”, descobri que até mesmo as coisas simples podem se complicar: como entrevistaria os meninos se estávamos em julho? Foi aí que surgiu uma luz. Te apresento um grande amigo meu, o telefone!!! É para nos salvar que ele existe, certo?

O único problema era quando o menino não estava: eu tinha que pedir para ele ligar depois. E ele ligava, só que justo quando eu estava em outra ligação! Correria total. Mas ainda assim era o melhor método: meninos, meninas, modelos, modelas, Giovanes… Ah, esse eu tenho que contar.

Quando decidimos falar com o Giovane, eu estava completamente sem voz por causa de uma gripona, que me deu direito a dois dias de cama e tudo mais. Quem acabou fazendo a entrevista foi a Tina Poles, repórter.

Porém, o destino estava do meu lado. Depois de toda a matéria lindinha e prontinha, descobri que uma pergunta muito parecida havia sido feita seis meses antes! E isto seria imperdoável, certo? Não poderíamos fazer mais nada, a não ser refazer TUDO, trocando a pergunta para “O que fariam se fossem traídos pela namorada” Só que dessa vez minha voz estava boa e eu fui praticamente obrigada a conversar com o Giovane.

Foi só ele falar “alô” pela primeira vez que minha voz empacou e me deixou na mão. Veio o segundo alô, e a voz continuava empacada; o terceiro, e a moça que vos fala, vulgo eu, começou a gaguejar. Passado esse tremendo vexame, descobri que o Giovane é um dos caras mais simpáticos e atenciosos que já vi: acredita que ele saiu do meio de uma reunião só para vir falar comigo?

Feliz, bem feliz

Ahh! Morram de inveja – da boa, por favor – porque a próxima é de matar. A Giuliana Cury, repórter, queria me levar para assistir á uma sessão de fotos com o Felipe Folgosi. Infelizmente, ele teve que desmarcar tudo – só não pergunte por quê: faz parte do jornalismo. Mas para compensar essa perda, fui assistir ao editorial de moda “C de Capricho”, com a Luana Piovani. Isso quer dizer que fui ver a trupe de moda fotografando essa matéria!

Assim que chegue lá, dei de cara com a Amélia S, editora de Moda, dirigindo a modelo. “Vire pra cá”, “Agora põe o pé assim, pro lado”, “A cabeça: vira um pouquinho pra esquerda.” Achei o máximo. Só não gostei muito quando ela cismou em nos apresentar. Me puxava de um lado, e eu saia pelo outro: “Deixa de ser boba, menina! Vem conhecer a Luana!”OK, Amália, você venceu. Fui lá com a cara e com a coragem (Mentira, fui só com a coragem: a cara ficou escondida dentro da camisa.) Legalzona! Simpaticona! Onaona! Tudo que é aumentativo, é a Luana! Teve uma hora que eu estava cantando e ela entrou no embalo! “A semana inteira, fiquei te esperando…” Sabe qual foi o título desse dia na minha agenda? “O dia em que cantei com Luana Piovani”. Cheguei em casa com o maior sorriso na cara…

Aprendiz de Jornalista

Uma outra vez que eu cheguei com esse sorrisão. Foi muito engraçado porque, segundo meu pai, fazia uma semana que só me via com cara de preocupação: “Vai envelhecer mais cedo, hein?” O que ele não sabia é que eu tinha acabado de fazer a minha primeira grande matéria. Você acha bobagem? Então, ta.

Você tem algum quebra-cabeça de milhões de peças mofando no armário? Pegue. Agora te dou dois dias e meio para montá-lo inteirinho. Só que vou ser bem boazinha e não vou pedir para que você faça um relatório de tudo que aconteceu. Fazer uma reportagem é assim, você depende de uma pela para colocar: outra; e esta peça vai te levar a outra que, por sua vez, te leva a um ponto diferente do desenho que, para ser completado, depende da primeira que você encontrou. Uma verdadeira loucura!!! Que, para mim, foi maravilhosa…

A Giuliana veio com um papo meio estranho de que eu teria que me empenhar mesmo, que agora não era mais brincadeira, etc., etc. Penso, logo pergunto: “Do que você está falando” E ela, que também pensa, responde: “Da reportagem sobre os guerreiros do surfe que eu quero que você faça”. Senti a minha cara ficando vermelha e o coração acelerando. “Tudo certo, vou fazer.” Ela deve ter sentido que eu estava insegura, porque me disse que acreditar no que fazia, que eu podia gostar muito, que ia me dar bem porque era bom (essa ela falou só massagear o meu ego e ninguém me convence do contrário). E eu estava disposta a fazer mesmo! Só não sabia em que furacão estava entrando…

Há algumas linhas eu disse que ia dar dois dias e meio para você montar o quebra-cabeça. Foi o prazo que me deram para fazer toda a reportagem e o texto. A Giuli veio conversar comigo numa sexta à tarde, para tudo ser entregue na quarta de manhã (“se possível, ta?”). Sábado e domingo a gente não trabalha. Já viu, né?

Corrida contra o tempo

Na terça-feira à noite, eu só tinha conseguido falar com um terço do mínimo que precisava para fazer uma boa matéria: muitos entrevistados estavam viajando pelos campeonatos de surfe. Mas o mais legal (ou o menos legal, depende do ponto de vista) era que todo mundo sempre tinha pessoas novas para maiores detalhes. Isso deu um atrasinho, mas foi fundamental. Toda reportagem é feita em cima de muita pesquisa; se tiver um detalhe a mais que alguém fale, temos que ver se é isso mesmo com outras pessoas. Tudo isso só para não existir nenhum errinho.

Resultado parcial: tivemos que conversar com a Patricia Broggi, redatora-chefe, que foi muito legal e deu uma esticadinha no prazo. Com isso, tive tempo de fazer o meu texto ficar mais legal e de dar uma editada junto com a Giuliana. (“texto editado” é aquele que foi lido, reescrito e arrumado para ficar pronto.)

Resultado final: A matéria que deve estar na edição. Sabe como é, né? Vai que a matéria “cai”… Calma, calma. É que a gente sempre faz algumas maiterias a mais e só no fim do mês que sabemos quais vão entrar, as que não entram, caem. Entendeu agora? Depois dessa, não me vejo trabalhando noutra coisa que não o jornalismo. Mas chega desse papo porque estou ficando doida de vontade de reportar de novo…

Os bastidores da notícia

Tem uma cosia que eu acho que é legal você saber: a revista é feita com antecedência. Ou seja, a revista é feia em dezembro, numa tremenda correria para garantir as férias coletivas. Senão, já pensou;/ A redação da CAPRICHO ia ficar doida!!! Enquanto eu estava aqui, peguei umas férias que duraram duas semanas apenas (“apenas” para mim, que estou acostumada com a escola… Mas foi o tempo suficiente para voltar com a corda toda.) Antes do descanso merecido, desespero total para poder fechar a edição.

“Fechar a edição? Que língua é essa?” Foi isso que passou pela minha cabeça quando escutei falar desse bicho-papão. O que é que significa fechar uma edição? Exatamente isso. Mas o tempo é que não é muito comum. Vou tentar explicar.

Se correr o bicho não pega

O fechamento é o prazo Maximo para que as matérias fiquem prontas, tanto no texto quanto no visual. É por isso que ele é o bicho-papão de todas as redações, não só da CAPRICHO.  Ele serve para dar uma ultima olhada em tudo e, se alguma coisa fica errada, minha filha, é um problemão: a revista vai para as bancas errada mesmo porque, do fechamento, ela vai direto pra gráfica ser impressa.

Às vezes a revista fica tão atrasada que o bicho assusta todo mundo até umas três da manhã! Duas vezes eu criei coragem para enfrentá-lo, fiquei até uma e meia vendo a correria da turma com medo de ele não deixar ninguém voltar para casa…

Depois de uma certa hora em que o cansaço está muito grande e a vontade de dormir também, não da pra segurar: a maioria do que é dito é besteira. Isso é supernormal quando uma turma legal se junta, né? E, te juro, a CAPRICHO não é diferente: o clima aqui é o Maximo! Todos são legais e divertidos. Sabia que nos aniversários todo mundo faz uma vaquinha e compra presente?

Agora, engraçado mesmo é quando o Wlamir, o faz-tudo da redação, começa uma campanha muito conhecida: “Não tem ninguém com fome ai, não?” (Pois é: depois que me meti a caça-fantasma, achei esse bicho-papão um monstro um tanto engraçado…)

Bem, acho que o que eu tinha para contar, já contei. Agora, só queria te perguntar uma coisinha: você sabe qual é a sensação de ter um sonho realizado? Pois é assim que eu estou me sentindo.

Maria Rita Camargo Mariano.

  1. Maria Vitória
    22 de abril de 2011 às 8:55 pm

    Esse Wes quer mesmo é nos matar de emoção! Que lindeza! :’) ps: me identifiquei ao extremo com o “Maria” hahaha lá vem bronca…

  2. Cláudia
    23 de abril de 2011 às 12:50 am

    “[…]Depois dessa, não me vejo trabalhando noutra coisa que não o jornalismo.[…]”. Não tivemos uma grande jornalista, mas temos uma ENORME e MARAVILHOSA cantora, ninguém saberá dizer qual é a que mais colabora com o nosso país, mas uma coisa é certa: Maria Rita Camargo Mariano nasceu para brilhar > FATO! Papai-do-Céu foi muito bom com nossa estrela!!! Obs: Obrigado Wes, você ainda vai nos enlouquecer com tanto conteúdo!!! Beijooos.

  3. 25 de abril de 2011 às 8:39 pm

    Own… Essa cantora é fofa demais! *—*
    Linda e inteligente. P*** texto! Amei. :D

  4. Letícia de Paula
    25 de abril de 2011 às 11:20 pm

    Cada vez mais me convenço de que esta mulher é o ápice da perfeição. Imaginem se não brilhasse como cantora certamente seria uma grande jornalista. Adoro-te Maria Rita. É bom ter esse meio de trocar ideias pois também penso em fazer jornalismo mas me sinto insegura ainda em relação ao mercado, e por estar em ano de vestibular preciso me decidir logo! Gostaria de trocar ideias com quem pensa assim como eu, em cursar jornalismo ou já está atuando na área. Beijos Letícia

  5. 13 de outubro de 2011 às 3:22 pm

    Ela é incrível demais, desde novinhaaa! A cada coisa que leio amo mais!!!!

  6. Cristiane Alves de Lima
    21 de janeiro de 2012 às 3:22 am

    Muito divertido …trabalho de jornalista não é mole !!!

  7. Maria das Graças Figueiredo
    3 de dezembro de 2012 às 10:02 pm

    Nao conhecia mais esse dom da Maria Rita. Parabéns! Sua escrita prende o leitor..
    Sou muito católica, estou rezando a N.Senhora Aparecida para que sua criança nasça com muita saúde e lhe traga muitas bênçaos divinas…

  1. 22 de abril de 2011 às 8:38 pm
  2. 20 de julho de 2011 às 2:38 am

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